LUIZ GERALDO MAZZA
Nada de novo?
A aguardada pesquisa, que poderia reanimar a oposição, saiu e se sustenta quase nos mesmos níveis a candidatura hegemônica mostra que há condições, a médio e longo prazo, de mexer no ''bunker'' triunfalista. Já, mal iniciados os programas eleitorais, os advogados da aliança gigante cometeram um erro ao contestarem na justiça o uso dos padrinhos do PT e do PMDB no horário dos vereadores. É verdade que se trata de uma sacanagem para os vereadores cuja partilha de espaços é ridícula e os obriga a alternativa do corpo a corpo, mas reveladora também de uma paranóia como aquela que acometeu o time do PT ao propor, por obra e graça de algum desses gênios de plantão, a impugnação da candidatura de Beto Richa, uma vitória por WO no tapetão. A oposição tinha que aproveitar, no caso do PT, com as manifestações de Lula, Dilma e Sameck e a do PMDB com Requião. Prova de que estão ''ligados'', o que é sinal de vida para motivar a militância, diante do impacto fortíssimo das pesquisas.
Se um jogador de pôquer ou de xadrês, em meio a uma disputa, der esse tipo de sinal de inquietação e ansiedade, como nos casos do PSDB e do PT, favorecerá o seu adversário como em qualquer competição, embora na eleitoral não haja qualquer compensação para os que ganharem prata ou bronze. Os números de Richa aconselhariam o exercício do ''fair play'' mesmo quando ocorresse a esperada oscilação, por mais discreta que fosse, nos números da oposição.
Palanque eletrônico
A pesquisa DataFolha captou as reações do público já no andamento da campanha eletrônica. Todavia é preciso bem mais tempo para que se possa medir perdas e ganhos daí decorrentes. Tanto Gleisi como o Moreira precisam fazer uma espécie de doze trabalhos de Hércules: não sabem se baixam o chanfalho ou ficam na base do respeito à imagem de Curitiba, à maneira de Ângelo Vanhoni; tentam, enfim, buscar um foco e a inspiração, até aqui, ajudou muito pouco.
A eleição hoje está profissionalizada, não havendo campo para o militante do passado, em maioria voluntário. Quadros eleitorais, até para a nobre arte de pichar muro e fazer convocações revolucionárias contra a Syngenta ou ainda repetir a máxima de que ''Requião tem razão'', são formados em repartições estaduais e federais, inclusive os que acreditam na boa causa do MST como o desafortunado Keno, servidor universitário, morto na falange do campesinato.
Os nanicos
Uma das esperanças de vitalidade está nos ''nanicos'' que sabem que jamais emplacarão e em função disso podem fazer da crítica mais contundente aquilo que a oposição teme fazer diante dessa unanimidade, tantas vezes evidenciada, em torno dessa Curitiba idealizada, tanto em virtualidade como em virtudes, construção feita com muita competência ao longo do tempo e que o lernismo explorou com os melhores resultados. Na cidade é difícil a crítica porque o que se presume é que quem o faz não gosta de Curitiba. Propositura fascista, reacionaríssima, mas que funciona.





