O banquete
Dá para imaginar algo como ''O Banquete'' de Platão em função desses jantares eleitorais à base de frango, polenta e risoto a que se atrelaram os candidatos a prefeito de Curitiba? Compatibilidade entre comida, ainda mais com o vinho de Santa Felicidade, e qualquer exercício intelectual, se é que há algo disso nas pregações políticas, é algo próximo da incompatibilidade. Mas nem sempre foi assim: quem ouviu discursos como os de Munhoz da Rocha, Acioly Filho, Amauri Silva, Laertes Munhoz sabe que dá sincronia. Bento era um doutrinador nessas ocasiões como ele fez ao longo dos mais de trezentos congressos locais, nacionais e internacionais em Curitiba em 1953, centenário do Paraná.
O pensamento e a reflexão são impossíveis com esse time que entrou em campo há muito tempo e socializou a mediocridade, massificando-a.

O teatro
E quando não é o banquete, este de Santa Felicidade, que sabe a frango prensado, temos o exercício da rua com formas de um suposto teatro, tal qual se vê na ''Boca Maldita'' aos sábados para irritação dos seus frequentadores. Não há uma só pessoa com um mínimo de bom senso que tolere o primarismo da discurseira. Anteontem, aliás, deu para perceber que mais cedo do que se possa imaginar o ajuste entre PMDB e PT virá à tona o que quase ocorreu com a caminhada de Gleisi Hoffmann desde a Praça Santos Andrade para o estuário da Avenida Luis Xavier ocupado pelas falanges do partido oficial, cujo candidato, eleito duas vezes Reitor, não pontua nas pesquisas eleitorais. A primeira reflexão a fazer é a seguinte: justamente essa ausência de conteúdo, de pensamento, é que leva o povo a repudiar em massa a classe política, tal qual se viu na pesquisa da Associação Brasileira dos Magistrados, como se viu com mais de 80% dos que opinaram.

A nova alquimia
Quem pensa que a alquimia se esgotou na Idade Média está enganado: ela aparece com pretensões assemelhadas, como as de transformar metal em ouro e curar todos os males, na roupagem e nas pretensões ideológicas do marqueteiro eleitoral. Tenta-se reduzir numa frase, como o processo do metal ganhando a nobreza máxima do ouro, uma idéia-força, se possível uma filosofia. Lembro de alguns do passado ''Paraná Maior'' de Lupion, ''a dignificação da função pública'' de Munhoz da Rocha, ''somos todos uma só força'' de Ney Braga e simplificações como ''a cidade da gente'' da campanha passada de Beto Richa ou ''o vamos melhorar o que já está bom'' da Gleisi que reincide no erro de Ângelo Vanhoni de temer criticar o adversário e admitir que ele vai bem.
Os ''teasers'' e ''slogans'' têm uma dificuldade operacional óbvia para sugerir um alinhamento, um juízo de valor. E como no futebol em que se dá ao técnico um papel decisivo, maior do que o dos jogadores, e no cinema se confere ao diretor glórias não concedidas aos intérpretes, os marqueteiros se acreditam superiores às propostas e aos candidatos e nunca perdem um pleito, pois se isso ocorre a culpa é do postulante e de um dos pústulas assessores.
Está duro aguentar a política que praticamos, é como engolir bário como se fosse chicle de bola.

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