Maremoto de pesquisas
Nas eleições passadas a baixa frequência das pesquisas era um drama para os comitês políticos. Nessa, teremos - além da do ''Vox Populi'' de ontem - mais onze. Um porre, enfim, que vai cansar tanto ou mais do que o nhenhenhém do programa eleitoral gratuito.

No caso das eleições de Curitiba, as modificações no retrato colhido pelas sondagens, a mais recente e as anteriores do DataFolha e Ibope, são mínimas oscilações inferiores à da pulsação do corpo humano. É claro que todos irão lembrar o vexame do Ibope no pleito passado que dava um dígito para Rubens Bueno quando ele chegou a 20% e o levou a processar o instituto.

Populismo
Em Londrina, a apuração do Ibope, apesar da já esperada liderança de Antonio Belinati, dá para perceber que haverá polarização (e muito ruim para a cidade) entre os populistas. Dá saudades de Milton Menezes, Hosken de Novaes, Wilson Moreira e mesmo da fase moderadamente populista com José Richa e Dalton Paranaguá.
Oligarquia, porém, para ninguém botar defeito é a de Guarapuava com Ribas Carli (46%), Silvestri e Mattos Leão, a esganadura da genealogia pós-moderna. E lá em Ponta Grossa o populismo delira com Jocelito na dianteira (43%), todavia indicando possível segundo turno.

Lula e Requião
Em Curitiba, já se percebeu que enquanto Beto Richa soma 77 de bom/ótimo, Lula faz 48 e Requião 46. O candidato de Requião não pontua, a de Lula fez 13. Em Londrina o candidato de Requião, Cheida, que já foi prefeito, marca 7, o de Lula, Vargas, emplaca 4. Como se vê os maiores cabos eleitorais do país e do Paraná se dão mal em Curitiba e Londrina. Já no Paraguai, Requião vai bem e posa, amanhã, como cabo eleitoral importante de Lugo.

A latinha
Nas eleições mais recentes houve um tsunami atingindo o pessoal do rádio como Ricardo Chab, Algaci Túlio, o Cadeia em função, sobretudo, do Ratinho. Nessa para prefeito, os da ''latinha'' - como Belinati e Barbosa Neto em Londrina e o Jocelito Canto em Ponta Grossa - levam vantagens pela exposição.

Crueldade
O nascimento do filho do levantador Marcelinho da seleção de vôlei comoveu o público, mas se o Brasil não vencer a Olimpíada vão lembrar é do titular da posição, afastado por Bernardinho, o Ricardinho, melhor do mundo.

Folclore
Analista político é uma espécie de coprologista (especialista em fezes) que vibra quando acha ovo de parasita em matéria examinada, tal qual o faiscador ante o ouro ou o garimpeiro ofuscado pelo brilho do diamante. Basta titica de mosca vista por uma lupa para justificar um discurso, uma exegese. Um pontinho no Ibope, bem examinado, ganha a força de uma encíclica papal.

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