LUIZ GERALDO MAZZA
Sem Rui Barbosa
Há um setor disposto a contrabalançar as denúncias sobre fantasmas e gafanhotos no Legislativo com uma CPI investigando a mídia. Se isso fosse feito com critério descobriríamos o óbvio de que tanto Requião como Lerner e seus antecessores foram privilegiados em suas respectivas carreiras com a adesão pontual ou permanente dos meios de comunicação. É tão vergonhosa essa cultura de tutela e subvenção que alguém, à maneira de Rui Barbosa sobre a escravidão, que pretendia o incêndio da documentação a ela referente por ser uma vergonha irremissível, pode sugerir que tudo seja esquecido. Não, o melhor é que tudo seja divulgado para uma ampla purgação de culpas dos dois lados e mais ainda da própria sociedade, omissa ou alienada em torno da questão por achar tudo nos conformes.
Fraude criativa
A engenhosidade dos fabricantes de moeda, ao encerrar as contas coletivas que nutriam os gafanhotos, partiu para manobra mais sofisticada: o uso de médicos, dentistas e advogados para lavagem de dinheiro, drible na Receita e produção de documentos. É o que a Polícia Federal está depreendendo e um sinal desse tipo de cenário foi denunciado pela reportagem (Karla e Rosiane) desta FOLHA.
Sub judice
Pelo jeito a investidura de Maurício Requião persistirá ''sub judice'': é que o juiz Marcelo Teixeira Augusto, da 3 Vara da Fazenda Pública, havia na quinta-feira suspendido a posse do novo conselheiro do TC e irritado pelo fato de não ter havido obediência na sexta-feira revigorou a decisão, obrigando o conselheiro, já empossado, a se abster de praticar qualquer ato sob fundamento de nulidade plena. Teremos, por certo, a continuidade daquela correria que derrubou a liminar no TJ que impedia a posse. Extremamente saudável já que põe em xeque várias instituições. Um festival de hipocrisia de lado a lado.
Cartorialismo
Se deputados, mesmo de oposição, não resistem à prensa do poder mais alto a troco de que o faria um oficial de justiça que não cumpriu a ordem de obstar a posse de Maurício Requião? O juiz agora, justamente, quer enquadrá-lo e o cartório não tem culpa no episódio? Sociedade cartorial é blindada e por isso é que em Londrina há mais resistência do que aqui. Exemplo: Câmara Municipal.
Arquivo
O MP arquivou, por não encontrar irregularidades, os processos da Pavibras na Sanepar. Quem levantou a lebre foi o próprio governo, novamente exposto a ações judiciais de indenização, inclusive por ruptura contratual.
Folclore
O escritor Wilson Rio Apa, vestindo jean sablon (caga-em-pé) e com sua barba nazarena de indiano, chega na estação ferroviária de Paranaguá junto com a esposa e os dois filhos. Os chapas discutem sobre a carga na plataforma de quem era e um deles arremata: ''É do Jesus Cristo em férias!''.





