LUIZ GERALDO MAZZA
Cartas do antiamor
Depois dessa mensagem do produtor cultural Rubens Genaro ao Requião há quem pense em produzir uma seleta das manifestações do gênero. Uns respondem com carta-denúncia, como fez o dirigente da Pastoral da Terra e que ocupava cargo no governo na gestão dos conflitos fundiários, Horácio Martins de Carvalho, acusando o governador em 27 de março de 1993 pela forma como a PM executou o Teixeirinha, do MST, em Campo Bonito. Antes desse, também com um homem de esquerda, o Mânfio, houve um atrito em cima de um transbordamento colérico da autoridade por uma questão menor: o professor havia usado o carro oficial para deixar o filho na escola.
Há os que respondem com fatos políticos, como Mário Pereira, que comandou no Palácio como seu vice, a resistência, ao lado de Osmar Dias, ao impeachment de Requião e rompeu com ele, ajudando a derrotá-lo nas prévias nacionais do PMDB com Orestes Quércia. Isso sem falar nos inquéritos e sindicâncias como a do uso das diárias falsas que tocou. Outros vão ao Judiciário como o fato recente ocorrido com Euclides Scalco, ex-companheiro de PMDB.
Nenhuma delas, porém, com a intensa dramaticidade daquela que Munhoz da Rocha encaminhou ao seu ex-cunhado Ney Braga em 1965 em que dizia que o governador de então traía à medida que respirava.
Os vices
Volta e meia se discute a utilidade operacional dos vices. Houve um tempo em que eram eleitos diretamente como se deu com Getúlio Vargas-Café Filho e com JK-Jango e Jânio-Jango. Depois passou a ser automática: o cabeça de chapa levava o vice como um canguru com a bolsa e o filhote. Na história do Paraná ficou demonstrado que com o vice se procura um ajuste geopolítico entre regiões. No pleito de 1965, em plena Redentora, a escolha de Plínio Costa na chapa de Paulo Pimentel foi decisiva: o candidato do norte pioneiro com um da raiz tradicional. Mesmo nas indiretas do regime militar havia a acoplagem: Ney Braga, da tradição, e o estadista Hosken de Novaes do setentrião e assim por diante. Já nos pleitos diretos tivemos José Richa, do norte, e João Elísio, do litoral e do sul; Alvaro Dias e Ari Queiroz e Requião e Mario Pereira, este como expressão do oeste. A última eleição vencida por Requião atribui-se como fiel da balança o candidato a vice do oeste na chapa de Osmar Dias.
Mistério
Dias passados fiz uma reflexão em torno do que Orlando Pessuti, que vai assumir o governo, poderia fazer na perspectiva dos comportamentos dos que ocuparam o posto anteriormente, uns cordatos, dando continuidade normal aos atos administrativos e políticos, outros se abrindo para o atrito como se deu com Ari Queiroz em relação a Alvaro Dias e com o engenheiro Mário Pereira ante Roberto Requião com quem rompeu radicalmente. Uma forma de evitar conflito estaria na candidatura de Pessuti, aí já procurando a reeleição, o que aliás é pretensão declarada do vice-governador, volta e meia alvo de gozações ácidas do hierarca do poder. Ao chamá-lo de gafanhotão, o governador lembra que, de fato, o seu vice está listado no processo dos fantasmas do legislativo. Tudo o que se imaginar pode acontecer, inclusive nada.





