LUIZ GERALDO MAZZA
Assim é se vos parece
Há quem esteja vendo um jogo de cartas marcadas nesse veto parcial de Beto Richa ao aumento da hierarquia dos poderes Executivo e Legislativo. Até leva jeito dado o grau de cumplicidade histórica entre esses vasos comunicantes.
Há, no entanto, desdobramentos que podem afastar ou aprofundar a presunção ora colocada: se a Câmara rejeitar o veto e mantiver a integridade da proposta original ao prefeito, para salvar-se eleitoralmente do pacau de bico, restaria entrar na justiça com uma Ação Direta de Inconstitucionalidade sob a alegação de que a competência exclusiva e originária de reajuste no Executivo é dele e de mais ninguém.
Como o povo anda desconfiado, até esse refinamento poderia ser olhado como mais dose de ''glamour'' ao teatro. Se mesmo o suicídio de Vargas foi visto com desconfiança não há por que condenar o povo por seu ceticismo, diante da massa de fundamentos que Prefeitura e Câmara oferecem cotidianamente. Como no teatro de Pirandello ''assim é se vos parece''.
Segundo ato
O presidente da Câmara Municipal, João Cláudio Derosso, achou desleal o veto por entender que o reajuste apenas para os vereadores é um desgaste impositivo em cima de um processo eleitoral. Sugestão: se está indignado mesmo derrubem o veto e promulguem a matéria. Mas isso não salvará ninguém e não chegamos nem perto ainda do Juízo Final. Lá salvar-se será pior do que vestibular.
Silêncio
Na audiência pública sobre o quadro fazendário nenhuma resposta clara sobre o desequilíbrio de R$ 3,3 bi da ParanaPrevidência constante de relatório.
Cartões
Se as regras do futebol fossem aplicadas à política, Requião receberia vários cartões amarelos e - pelo acúmulo - um vermelho. Do material que mandou ao Legislativo sobre cartões corporativos 83% nada tinham a ver conforme auditor do TC, Alberto Martins de Faria. É tão brincadeira quanto aquela história do ônibus em miniatura sorteado na ''escolinha'' e que Rafael Iatauro achava que era para valer um veículo de verdade. O Paraná é um folguedo. Para eles.
Folclore
Se os problemas da Cohapar continuarem gerando tensão (o secretário Heron Arzua renunciou ao Conselho da empresa) teremos um teste para ver até que ponto o Romanelli é bom de verbalização diante de Rafael Greca. É que este afirma que a crise financeira decorre da gestão anterior e aquele diz que tudo se dá em razão da congestão atual. Teríamos democracia por um momento, o que é impossível sob Requião.
Mais lições
O Ministério Público estadual no Norte dá lições em Curitiba. Aqui parece que estão movimentando o caso das TVs laranjas o que é um avanço no duplo sentido.





