LUIZ GERALDO MAZZA
Mistério do Ministério
Todas as tentativas, de um modo geral, de fazer do Ministério da Agricultura uma escada para postos federais ou estaduais deram em nada. Munhoz da Rocha, em 1954, foi nomeado pelo presidente Café Filho com o propósito de ser vice ou até presidente da República; Ivo Arzua, chamado carinhosamente de Colonão no regime militar, era parte de um esquema para levá-lo ao governo estadual, aquele tempo de forma indireta. Talvez de olho nesses antecedentes, Reinhold Stephanes não gostou nenhum pouco de que lembrassem do seu nome à sucessão de Requião como um dos poucos com base eleitoral para a tarefa, dada a notória escassez de quadros do PMDB.
Dá para lembrar também de Ney Braga que foi na gestão Castelo Branco titular da pasta. E se não teve uma passagem tumultuária como a do seu ex-cunhado Munhoz da Rocha, do primeiro casamento, que chegou a brecar a reforma cambial do Ministro da Fazenda, José Maria Withaker, pensavam os militares do grupo dos pombos aureolá-lo como postulante presidencial. E Ney teve peito de enfrentar, ao menos em pré-convenção regional da Arena, o preferido dos milicos, Costa e Silva, o que lhe rendeu aborrecimentos e até a vinda de alguns oficiais da ala dos falcões para levantar material de oposição. Houve a escolha dos dois, mas Ney Braga fez maioria, o que manteve a irritação. Obviamente isso não ocorreria em nível nacional.
O mais ministro
Reinhold Stephanes é a figura paranaense, ainda que nascido em Santa Catarina, que mais vezes foi ministro tanto no período militar como na democracia sob Fernando Henrique e agora com Lula. Foi também presidente do Instituto de Previdência e encarou uma campanha pesadíssima quando defendeu a modernização da área e maior tempo de serviço para a inatividade em cima de sua aposentadoria precoce como servidor da Prefeitura de Curitiba.
Pode ser e isso é justificável que não tenha a menor ambição relativamente ao governo, mas a importância que está assumindo no governo em cima do choque na Amazônia entre agricultores e pecuaristas e ambientalistas ajuda a colocá-lo em evidência, ainda mais com os planos de safra recentemente lançados.
Deserto de homens
O fato é que o PMDB com uma liderança absorvente e autoritária como a atual de Roberto Requião transformou o partido num deserto de homens e de idéias e ele, Reinhold, é um dos poucos com currículo para a disputa. Bem melhor, por exemplo, do que o ex-reitor da Universidade Federal, Moreira, posto como a solução para a Prefeitura da Capital. A desertificação do partido está expressa não apenas nesse fato, mas ainda naquela decisão de colocar um petista, Ângelo Vanhoni, como cabeça de chapa, na situação anterior. É a conseqüência, o choque anafilático, do autoritarismo: ele não apenas tenta suprimir os adversários como acaba emburrecendo e engessando os liderados. Não é de hoje, tanto que Requião, no primeiro governo, quis impor o Maurício, seu irmão, como candidato a prefeito em lugar de Gustavo Fruet e não teve força suficiente para impedir que outro mano, o Eduardo, disputasse também a mesma eleição. Não uniu nem a família.





