LUIZ GERALDO MAZZA
Uma imagem imbatível
O longo e competente marketing sobre Curitiba, que levou a essa construção idealizada da realidade, é o escudo principal de Beto Richa como foi antes de Lerner e tantos outros. Só uma vez não funcionou: em 1985 quando as maiores lideranças do Paraná (José Richa, Maurício Fruet, Affonsinho, Canet Júnior, Alvaro Dias, Aníbal Khury entre outros) carregaram Requião nas costas e o elegeram em meio ao compromisso do governador de ganhar as treze prefeituras em disputa, Curitiba e as da faixa de fronteira. Lerner se viu prejudicado por sua vinculação com o regime militar, o qual já tinha decidido contra Saul Raiz o pleito de 1980 para governador, embora sua melhor qualificação.
Não foi fácil ganhar: houve um massacre da imprensa alinhada ao governo na desmistificação de Lerner e assim mesmo a decisão foi por menos de vinte mil votos. No dia do pleito a cidade foi invadida por mais de cinquenta mil militantes que vieram do interior e fizeram muito mais do que boca-de-urna.
Polarização
Além de tudo houve polarização entre Lerner e Requião tão acentuada que Paulo Pimentel, mesmo tendo como vice o ex-prefeito Ivo Arzua, teve uma votação de vereador. Um ataque sistemático de jornais transformados em panfletos e com tiragens superiores a 200 mil exemplares era completada por uma ação vigilante tão forte que no comício de encerramento soube-se que nas oficinas do Jornal do Estado lernistas estavam produzindo um volante em que se anunciava o fim do sistema integrado de transporte coletivo. A massa se deslocou da Praça Rui Barbosa até a gráfica e foi indispensável a presença do presidente do TRE para convencer o jornalista Roberto Barrozo Filho a permitir a vistoria.
Aquele tempo havia tesão no militante que não era como o de hoje portador de um cargo em comissão até para garatujar palavras de ordem nos muros. No pleito que se avizinha não há hipótese outra do que a massa de candidatos de oposição carrearem poucos votos, mas impedindo a polarização, no primeiro turno, imaginada por Luís Claudio Romanelli. Gleisi Hoffmann se saiu bem na eleição senatorial porque absorveu os votos dos que rejeitavam Álvaro Dias em decorrência da fadiga do material e até por isso não é mais o novo, que seria justamente o postulante do PMDB, Carlos Moreira, ungido certamente hoje na convenção, um devoto como Doático Santos, mas não bom de voto.
Pisando em ovos
Pisar em ovos com receio de atingir a visão idealizada de Curitiba como fez Ângelo Vanhoni não funciona. Como também seria inócuo, que tinha forma e o conteúdo do ressentimento, um massacre como o de Max Rosenmann e que acabou com votação de vereador. A busca desse equilíbrio é o problema. Devassar os enlaces negociais, empresas e grupos que gravitam em torno do poder, ligá-los à aliança suprapartidária e expor uma visão crítica em torno do modelo em esgotamento e com propostas bem formuladas de inovações. Não dá, em hipótese alguma, para subestimar Beto Richa que tem uma empatia superior à do pai e com a vantagem da energia e a juventude e muito menos o andamento das suas obras.





