LUIZ GERALDO MAZZA
Histórias musicadas
O alpendre é a varanda. Já o Francisco Alpendre, com suas denúncias sobre a ParanaPrevidência relativamente às aplicações financeiras e ainda ao fato de o governo estar devendo uma fortuna à instituição, é o alvo preferencial de Requião e seus amestrados seguidores. Contou o que viu e como os demais denunciantes ou meros discordantes como os ex-diretores técnico do Porto, da Sanepar e da Ceasa e a ex-Procuradora Geral do Estado e está sob perseguição com a velha ânsia da Ku-Klux-Klan de abater adversários reais ou imaginários ou ainda, num plano mais suave, torná-los esquecidos.
A lira
Como alpendre é varanda dá pra lembrar a lira popular, consagrada por Inezita Barroso, eu fiz a cama na varanda// esqueci do cobertor// deu o vento na roseira// me cobri toda de flor//. Quem faz referência também ao alpendre como surpresa poética em meio a um canto épico foi o Raul Seixas com o trecho de eu nasci há 10 mil anos atrás em colagens de violência e lirismo: Eu vi o sangue correr da montanha// quando Hitler chamou toda Alemanha// Vi o soldado que sonha com a amada// numa cama de campanha// eu li o símbolo sagrado de umbanda// fui criança que podia dançar ciranda// quando todos praguejavam contra o frio// fiz a cama na varanda//.
O gládio
O governo armou uma cama para o Alpendre ou foi ele mesmo que a arrumou? É o que se pode dizer de muitos que saíram, mas que deram razoáveis contribuições de comprometimento como a de metabolizar o autoritarismo e entrar em todas as opções de alto risco do governador como se deu com Botto de Lacerda, Inspetor Javert das causas de Requião na sistemática ruptura de contratos. Dos que fizeram denúncias internas um dos poucos que permaneceu, depois de ser o voto vencido de uma sessão do Conselho da Sanepar em que denunciou vantagens em favor da Pavibras em termo aditivo, foi o Pedro Henrique Xavier. Com um detalhe: esse voto vencido chegou na mídia e veio a ser publicado na íntegra.
Acomodação
Francisco Alpendre foi até certo ponto o respaldo para a guerra contra o Ministério Público, hoje esmaecida com a escolha de Sotto Maior que leva todo jeito, ainda que com mais conteúdo intelectual e doutrinário, de seguir a linha do Riquelme, que não perseguia o raio de autonomia do órgão conquistada pela Constituição de 1988. Como o litígio perdeu o sentido, já que está nas normas gerais do MP a garantia da isonomia de ganhos com o Judiciário, aquela história da revisão das aposentadorias, na qual Alpendre se empenhava, saiu de foco e não conserva linha de prioridade e urgência.





