LUIZ GERALDO MAZZA
O superportoRequião foge um pouco ao seu temperamento na questão do porto do Pontal: não quis investigar as origens da concessão daquelas terras que foram doadas por Lupion a Paranaguá para a construção de uma cidade balneária. A doação era condicionada ao empreendimento que jamais foi cumprido porque de todo o complexo, incluindo infra-estrutura de saneamento, estradas, benfeitorias como campo de aviação e um hotel cassino parecido com o de Quitandinha de Petrópolis, como figurava nas pranchas, muito pouco aconteceu.
Tratava-se de uma doação com condição resolutiva. A Câmara de Vereadores de Paranaguá aprovava os sucessivos pleitos de adiamento das obrigações. Um dos sócios maiores era João Eugênio Cominese, ex-prefeito de Paranaguá.
O grupo sucessor, herdeiro do ex-deputado João Ribeiro Júnior, pretendia em aliança com sócios internacionais tocar o terminal, mas acabou surpreendido com o decreto de Requião com ato desapropriatório. O incrível nisso tudo é que um governo que se mostra incapaz de fazer a dragagem da Galheta se disponha a melar o que a iniciativa privada faria como se dá em Itapoá e vai acontecer com o maior de todos, em Peruíbe, feito de Eike Batista.
Hesitações
Teme-se que com essa nova investida haja o repeteco do ocorrido com o Cais Oeste, que o governo federal iria fazer sem contrapartida do Estado e o nosso timoneiro impediu já na primeira gestão e até hoje, na terceira, nada saiu.
Mais analogia
Tenho feito sistematicamente a analogia entre o funcionamento de instituições do Estado e da União para mostrar a obviedade de que aqui não há democracia. Por exemplo o Tribunal de Contas da União volta e meia glosa e processa despesas irregulares, o que aqui não contece; o parlamento prensa o Executivo e aqui não, assim também com o Judiciário.
Ainda agora a Polícia Federal decidiu que continua a investigar o vazamento dos gastos de FHC, independentemente da CPI e consequentemente dos desejos do governo. Imaginaram aqui algo parecido? Ou um Ministério Público dotado da força moral de quem enquadrou os mensaleiros e tudo mais?
Exemplo
Sanções contra vereadores em Londrina é exemplar como esse caso do Bonilha, mas seriam impraticáveis em Curitiba. Aqui está tudo dominado como no funk.
Folclore
Desejo de mexer na ParanaPrevidência é antigo e marcado por várias ações. Uma delas pretende drenar para o Tesouro (que está apertado) diferenças de Itaipu, cujos royalties tem destino carimbado no fundo de pensão. Outra é a de fazer ''misturador de vozes'' com a história das aplicações da instituição que serão alvo de análise na Assembléia.
Trocadilho
No Estado o Duce todos sabem quem é. Na Prefeitura é o Ducci.





