Ainda a transparência
A mensagem do governador, a PEC da transparência, formalmente bem-feita, o que não é garantia de eficácia (a legisferância abusiva do país o comprova),
está sendo alvo de resistência. A Assembléia é a campeã da caixa-preta e quem a defende como se fosse o Vaso do Santo Graal é o próprio Nelson Justus. Isso é tão claro que se recusa a investigar a relação entre deputados e aspones sob fundamentos os mais tortuosos.
Se fossem confiáveis os agentes e poderes interessados poderiam todos fazer uma espécie de psicodrama e analisar em conjunto a tal proposta. Na verdade a obscuridade é uma imposição da realidade institucional, tanto que o caso do Anexo do Tribunal de Justiça continua insondável da mesma forma que também o Executivo nos seus dribles a qualquer esforço de esclarecimento. Requião já tentou substituir o Diário Oficial por uma versão eletrônica, o que mostra o viés obscurantista diariamente revelado.
O próprio Diário Oficial, que deveria ser a peça básica da transparência, é vertido num código administrativez que exige um Champolion para decodificá-lo no cotidiano. Da mesma forma que Taleyrand afirmou que a palavra foi dada ao homem para dissimular-lhe o pensamento também as variadas formas de revelação dos atos públicos mais ocultam do que clareiam. E será sempre assim. Com todos posando de transparentes como o fazem também no quesito ''honestidade'' quando a corrupção é mais viva do que tudo.

A soberba
Certa feita convidaram o Dalton Trevisan para integrar antologia de contos sobre os sete pecados capitais, cabendo-lhe o da soberba. Raramente se vê um exemplo tão forte dessa fragilidade humana como a do triunfalismo que tomou conta do Flamengo depois da conquista do título e da vitória sobre o América no México. Funcionou como uma punição bíblica ao gosto de Nelson Rodrigues a derrota por três gols no Maracanã. Vale como purgação de culpa.

Coincidências
Ainda sobre transparência: tanto Requião quanto Beto Richa tentam ocultar o fato óbvio de que seus maiores contribuintes de campanha eleitoral aparecem como os maiores beneficiários em negócios públicos. Prestadores de serviços, empreiteiras e fornecedores se valem do estado e município como retorno.
A imagem de ambos, graças à prestidigitação, não é afetada. Uma blindagem os ampara, o que mostra a inocuidade da tal transparência, mera retórica.

Folclore
O ideal seria que tivéssemos um Tribunal de Contas tão talentoso que seus membros, quando ingressassem na Prefeitura, já entrariam cantando o ''como vai você?'' e com aquela frase ''eu preciso saber'', cantada pelo Roberto Carlos. No governo estadual poderiam usar o ''me chama que eu vou'', já que Requião se diz tão interessado em transparência.

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