A resposta do direito
Como ao direito da força se contrapõe a força do direito, o que é bem da nossa tradição retórica, também ao direito de resposta da autoridade que se crê eventualmente ofendida há a hipótese da resposta do direito. Quando o governador diz que a Usina de Araucária vai explodir e que a barragem de Salto Caxias vai estourar, os que poderiam exigir o direito de resposta calam, nos dois casos a própria Copel, por causa do clima interno de submissão.
No momento em que um senador paraguaio, que já exerceu a presidência daquele país, assaca acusações contra Requião, absurdas e inverossímeis, e expostas em cima de um clima eleitoral, a mídia as divulgou sem que no exato momento da ocorrência houvesse uma reação do ofendido e sim a ameaça de processo contra a direção da emissora que as divulgou e os jornalistas que a integram. Ora, quem deveria ser alvo de interpelação seria, antes de tudo, o senador para pagar juridicamente por sua leviandade.
O fato de noticiarmos que a Usina iria explodir e que a barragem romperia não significou em qualquer momento que acreditássemos no vaticínio tanto quanto com as passionais afirmações do ''pai da pátria'' guarani. Da mesma forma como dizem agora que o Terminal de Álcool de Paranaguá pode ir para o espaço não significa que creiamos nisso, posto que não tenha havido uma resposta firme e clara por parte da autoridade portuária.

Direito autoral
O direito autoral não é o forte do governo paranaense. Pegou um trecho do musical de fim de ano da Rede Globo, ''o futuro já começou'', para a sua mais recente arrancada publicitária em torno do nada. Na inauguração do teatro da Unicemp, Requião disse que convidaria o arquiteto e designer Manoel Coelho para ''repaginar'' o Guairão, quando o direito autoral é de Rubens Meister.

''Perueiros''
Desbaratado um esquema de transporte alternativo operado por integrantes do PCC em Campo Largo. Também Araucária e Colombo enfrentam a deformação. Se as autoridades não se ligarem, os ''perueiros'' tomam conta do pedaço e demolem todo o esforço de integração que parte de Curitiba.

Fio da navalha
O recente ''alerta'' da Marinha sobre as condições de navegabilidade indica nova instrução com baixa de calado no Canal da Galheta. O futuro que começou aí é triste: a interdição total é hipótese não afastada.

Refém
Curitiba diz ter um transporte padrão, mas no contrato coletivo de trabalho com motoristas e cobradores entra a concessão de dezenas de milhares de cestas básicas superfaturadas, hoje ao custo unitário de R$ 90, que estoura na tarifa que todos pagam. Acordos desse tipo transformam a municipalidade em refém e ninguém ousa enfrentar o absurdo com medo de represálias. O governador chamava isso de ''ligações perigosas'', título do romance de Choderlos de Laclos.

mockup