O vetor da história
Políticos normalmente se acreditam indispensáveis, como uma espécie de vetor da história, seus inoculadores e nutrientes. Estariam para a marcha da civilização como o Aedes aegypti para a dengue. Ou ainda na figura clássica do Chanteclair, a pretensão do galo de que se ele não cantar não romperá a aurora e não haverá a manhã.
Nunca foram tão desprezados como nos dias que passam e deve-se a isso o fato de a massa atribuir a Lula todas as benesses do mercado aquecido, do crédito solto, da melhora inegável no asssentamento de classes com a ''C'' se tornando a dominante e abafando em vários itens do consumo. E como é regra basilar do padrão brasileiro o cortejamento servil à massa, via assistencialismo, há o temor pânico de que essa anestesia do consumo exasperado deva ser contida, como aconselham os mais ajuizados. Daí o choque inevitável entre essa classe, a dos ''corretores da esperança'', e o setor mais técnico pela estabilidade da moeda do Banco Central que não entrará no canto de sereia dos fisiológicos para que haja baixa de juros, um dos poucos instrumentos para evitar uma inflação de demanda, cujos sinais, alguns expressivos, já marcam o mercado.
Não bastasse essa dificuldade - visível na queima de reservas, que sustentaram a estabilidade até agora, e no aumento de mais de 40% nas importações - tanto o governo como patrões e empregados querem que tudo permaneça como está mantendo a sensação de euforia, fundamento de todo o Ibope presidencial.

Escatológico
De qualquer forma deve-se tomar como mal menor o fato de haverem defecado no elevador da Câmara Municipal de Curitiba. Afinal poderia ser no ventilador. É mais fácil descobrir a autoria da maroteira do que das outras cotidianas que marcam a história da instituição e dadas como normais. Essa diferencia.
Talvez seja por isso mesmo que se fala tanto em pedir ''penico'' a políticos.

Agressão
Os frequentes casos de agressão da Polícia Militar mostram que a corporação, além de estafada, não tem como resolver uma questão básica: o efetivo, tanto dela como da Polícia Civil, é o mesmo de três décadas passadas. Não há como superar essa contingência. E aí também o governo é virtual, pouco virtuoso.

Folclore
Escatologia mais discreta: o ex-presidente da Câmara Municipal Moacir Tosin, o Jacaré, não podia afastar-se do seu assento numa votação dramática e, como precisava urinar, disfarçou, fazendo-o, às escondidas, num cesto de lixo abaixo da mesa principal. Houve um ex-prefeito substituto, dizem que o próprio Tosin, que também ''regou'' os jardins do Palácio 29 de Março. Não se trata de missão impossível, mas de micção temerária.

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