LUIZ GERALDO MAZZA
Outra vez?
De novo o nosso governador é lançado à Presidência da República, agora pelo seu ex-arquiinimigo Orestes Quércia, ex-governador paulista que o derrotou, de forma esmagadora, na primeira tentativa. Isso aconteceu ontem no início da tarde no Diretório Nacional do PMDB. A baixa credibilidade dos nossos políticos é um fator limitante, como se viu nas prévias do PMDB quando Alvaro Dias ficou em quarto e último lugar e na frustrante aventura de Afonsinho Camargo que fez uma campanha estilo Xuxa, dirigindo-se aos baixinhos, com o assessoramento do falecido Tião Macalé, o nojento.
Suspeição
O fato de o governo paranaense contratar serviços do jornal DCI de São Paulo, de Orestes Quércia, está sendo suscitado o que corre à conta das especulações normais em política e tão a gosto justamente de Requião. Só que quando se faz isso contra ele, o intangível, é claro que só pode ser canalhice.
Factóide
Quando o Judiciário enquadrou o governador na escolinha ele perdeu o cenário no qual construia factóides, já que não tem obras para mostrar: dos 23 hospitais prometidos, por exemplo, apenas 5 foram concluídos. Como a vespa sem ferrão e quase com a delicadeza de uma libélula, perdera iniciativas e a sua candidatura veio na hora certa e ainda mais com a aura bolivariana que levará a brigada dos mártires do D.A.S às ruas para confirmar que ele sempre tem razão. E isso pode mexer até com o pleito municipal com o reitor Moreira vestido de Che Guevara.
Seriedade isolada
A única vez, séria e respeitável, em que o Paraná tentou alguma coisa foi com Munhoz da Rocha como possível vice na chapa dos aliados de Café Filho e ela, de saída, abria espaço para que conquistássemos ministérios, o da Saúde com Aramis Ataide e o da Agricultura com o próprio Bento. Frustrou-se na suspeita de um golpe contra Juscelino e que envolveu militares no movimento de ''retorno aos poderes constitucionais vigentes'' dos generais Lott e Denis.
Folclore
Na Rua XV, uma conversa sobre possíveis turbulências na sucessão da empresa CR Almeida, alguém disse que filhos do empresário estavam propondo a paz e aí veio a observação erudita de alguém da roda: ''Os clássicos já diziam em latim puro - se vis pace para bellum - se queres a paz prepara-te para a guerra''.
Delírio
Por que não temos credibilidade política? Vide o salário mínimo regional: o nosso é de R$ 548, o de São Paulo, centro dinâmico da economia brasileira, é de R$ 450. Simplesmente descompromisso com a realidade, nada mais.
Patologia
As 135 promoções irregulares do Tribunal de Contas vão ser acertadas em lei apresentada no Legislativo. Segurança jurídica é como a dos elevadores.





