Oligarquias
Ao defender-se das acusações do líder do governo no Senado paraguaio, Juan Carlos Delaverna, Requião disse que se tratava de um componente da oligarquia daquele país. O Brasil pode falar de boca cheia sobre oligarquias, depois das evidências alagoanas de Collor de Mello e agora do Renan Calheiros? O Paraná certamente não é um exemplo de sociedade aberta: temos, por exemplo, no Senado Federal, em nossa bancada, dois irmãos. É claro que a eleição eloquente de ambos não elide o parentesco. E no governo estadual nunca uma só família ocupou tantos postos secretariais como se dá com os Mello e Silva e aparentados. Essa é também uma componente da definição de oligarquia.

Filtro da eficiência
Mesmo em bons governos - há tempos que não os temos - tivemos essa evidência que destaquei sociologicamente: quando Bento Munhoz da Rocha era governador seus primos Laertes de Macedo Munhoz, o criminalista, era presidente da Assembléia Legislativa e José Munhoz de Mello, constituinte de 1946, presidia o Tribunal de Justiça. Anos mais tarde, já no regime militar, Ney Braga, cunhado de Bento pelo primeiro casamento e lançado por ele para prefeito de Curitiba, retorna ao governo e seus primos, o deputado Fabiano Braga Cortes e o desembargador Marino Bueno Brandão Braga chefiavam o Legislativo e o Judiciário.

Mas nem Bento e muito menos Ney Braga nomearam tantos parentes como Requião. Também Lupion não ocupou o aparato público com familiares e quando houve uma denúncia contra seu irmão, José, que presidia a Copel, pela passagem de linhas de transmissão por sua propriedade, embora a improcedência do questionamento, o governador Moisés o demitiu.

No caso dos irmãos Dias, senadores, gente desligada da genealogia regional, há uma prova de que mesmo os marcados pelo pioneirismo podem de uma forma curiosa ser confundidos como beneficiários de uma oligarquia oblíqua.

Herdeiros políticos
As maiores lideranças do Paraná, de todos os tempos, não conseguiram criar herdeiros: Manoel Ribas, de longo reinado pós 1930, não o conseguiu e muito menos Lupion, Munhoz da Rocha e Ney Braga. Mas tanto Munhoz da Rocha, nosso maior parlamentar, como Ney Braga eram ligadíssimos à genealogia paranaense. Os enlaces parenterais se vinculam à oligarquia dos Camargo (Affonso) e Munhoz da Rocha (Caetano), ambos governadores. Só que essas elites tiveram um caráter progressista, ainda que deitando raízes nisso que chamamos de sociedade cartorial com vínculos em questões fundiárias e em carreiras públicas.

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