Metáforas impróprias
Ulysses, não o faraó do PMDB, mas o mitológico, enlaçado no mastro do barco e com os ouvidos tapados para não ser alcançado pelos sons aterradores das sereias ou ainda o Prometeu, aquele que roubou o fogo dos deuses, amarrado à escarpa e atacado pelas aves que lhe bicam o fígado. Para que não se chegue ao extremo da heresia em analogia com o crucificado é possível coligir no tempo e no espaço imagens de martírios para dar densidade à circunstância de que o governo está na defensiva diante não da crueldade e muito menos dos fados e, sim, de sua obstinada inobservância da lei a que todos obriga.
Uns tentam imaginá-lo como Brizola na resistência do Palácio Piratini, em 1961, após a patuscada janista da renúncia e a ferocidade dos militares contra a posse de João Goulart. Outros o enxergam como o bufão Chávez e quando se lembram da derrota no referendo desprezam a metáfora. Embaralham-se imagens e aos poucos onde há uma frincha de lucidez captam o tamanho do ridículo. É hora de purgação de culpa, embora a lembrança de que toda ação temerária quase sempre está na linde do ridículo. E o pior é que não guarda nem aquela réstia de dignidade de um Exército Brancaleone, Vitório Gasmann à frente.

Caixa
A obstinação em fazer caixa tomou conta da Prefeitura de Curitiba: além do esforço habitual e racionalizado no campo fazendário há, paralelamente, um empenho forte em faturar nas multas de toda natureza, sejam as do trânsito (aqui há o informe positivo de que a Procuradoria estuda finalmente a forma de fazer a licitação dos radares e desistir dos aditivos que favorecem, de forma sistêmica, a Consilux) como as aplicadas no transporte coletivo. Em dezembro
houve mais de 5.000 quando em novembro mal passavam de 1.900. Ou havia aberta negligência ou instalou-se o ''crê ou morre'' no sistema. É oscilação demais para não despertar atenção.

O macro porto
Os proprietários da área imensa do Pontal do Sul já tinham um estudo (não um projeto) de aproveitamento da Ponta do Poço para um terminal de contêineres de porte, valendo-se da profundidade do local onde eram montadas as plataformas da Petrobras. Originalmente aquilo era do Estado e que a transferiu à Prefeitura de Paranaguá que por sua vez a cedeu, em doação, a um empresa que pretendia explorar o balneário. Essa doação era condicionada, resolutiva, a que a empresa beneficiada realizasse as obras que em maioria não fez.
A Câmara de Paranaguá dava prazos imensos à imobiliária para cumprir o cronograma a que se obrigara. Na base do jeitinho, o domínio da área foi mantido sem que a beneficiária cumprisse o contratualmente acertado.
Agora o governo diz ter a intenção de fazer tal porto, embora não cumprisse a elementar obrigação de fazer a dragagem do Canal da Galheta. A lei 8630, que modernizou os portos, é privatizante porque moderna. Despreza-se a hipótese de um consórcio de grupos para a obra, o que se ajustaria à aposta de Lula nas chamadas PPP, Parcerias Público Privadas.

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