Infantilismo bolivariano
  Uma coisa é um dirigente estudantil, em plena Guerra Fria, optar pelo bloco socialista num congresso da UNE ou da UPE; outra, muito diversa, é postar-se, nos dias de hoje, contra o País por acreditar no delírio bolivariano que não passa de um repeteco, de pior extração, do caudilhismo continental. Ocorre que uma forma primitiva de esquerda, na verdade uma heresia para os que pensaram o socialismo, vê nos episódios da Venezuela, Bolívia, Nicarágua e Equador um foco de renovação como se não fosse a reprise dos Somoza, Stroesner, Fulgêncio Batista de triste memória. O mesmo imaginário que transformou o mais atrasado país da Europa, a Albânia, em ‘‘farol da humanidade’’, está em ascensão em favor da Venezuela, que se vale da força do petróleo para suas investidas, com o qual faz chantagens e bravatas com Bush e os norte-americanos na condição de parceiro relevante na exportação da commoditty estratégica.
O pleito ao lado
  Tem sido tradição desde que o Paraguai se redemocratizou haver participação de empresários e políticos paranaenses nessas eleições e a de agora não vai ser exceção. Essa a razão pela qual o general Oviedo, forte candidato, depois de visitar Lula e comprometer-se em não mexer no Acordo de Itaipu, esteve no Paraná porque é visível a presença de gente da terra naquela disputa, entre as quais figuras do governo estadual, como tem sido divulgado seguidamente. Ora, os bolivarianos defendem o candidato Fernando Lugo que tem como um dos seus objetivos estratégicos rever o acordo de Itaipu.
  A leniência, às vezes próxima da concordância, do governo federal em relação às expropriações de instalações da Petrobras na Bolívia, anima essas alianças em nome de uma suposta e alterada correlação de forças na América Latina, uma ‘‘autonomia’’ que contestaria o ‘‘império hegemônico’’.
Conveniência geopolítica
  Para que a liderança brasileira, ditada pelo fato elementar de sermos a economia mais avançada e complexa, tire partido desse momento a aliança adequada seria com a esquerda de Tabaré Vasques do Uruguai e Michelet do Chile (o mais organizado de todos como economia e sociedade) e destacando Lula como uma conexão relevante nesse processo e que se valesse até das ligações empáticas com os bolivarianos e com a figura mítica de Fidel como se viu recentemente bem como com esse vaso comunicante e parceiro logístico, a Argentina. Lula perto dos bolivarianos clássicos do momento (é ocioso repetir o que Marx falou de Bolivar como mau caráter e covarde) é um estadista. Torna-se indispensável que o presidente brasileiro perceba o papel de mediador e de confiabilidade que possa exercer inclusive junto ao ‘‘império’’ em postura de pragmática independência.

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