Oposição, urgente
Os absurdos ocorridos na gestão de Curitiba reclamam um mínimo de oposição, tal qual a estadual transformada, por sua anorexia, em uma espécie de guarda Brancaleone. Mas essa, a regional, ainda obtém feitos como o caso das TVs alaranjadas, desmascarado de cabo a rabo.
Como o prefeito surfa nas pesquisas - o que sabidamente tem alguns efeitos paralisantes na oposição - não se percebe da parte de vereadores, nem dos outrora combativos do PT, que por sinal conta com a candidata mais próxima nas sondagens eleitorais, qualquer ação fulminante. A Câmara Municipal deita e rola, como se vê em deformidades como a do recente concurso ali realizado.
Curitiba não teve ''reveillon'', mas pelo menos R$ 590 mil estavam liberados em tomadas de preços para esse fim. Feita a denúncia, ninguém respondeu. Tudo no tal Instituto Municipal de Turismo, já célebre com aquela compra, a R$ 10 mil a unidade, das placas indicativas para dois eventos ambientais.
Agora vemos a cidade mergulhada num experimentalismo que raia à loucura como se vê no uso de semáforos sequênciais que aumentaram, como a Diretran admite, o índice de acidentes. O experimentalismo de Lerner, embora com falhas, trazia parques, construções, ampliação de área verde. O atual, ainda que bafejado num lado mais construtivo pelo canteiro de obras, é de estarrecer. Aliás, a Linha Verde, em que pese a sua expressão urbanística, não vai integrar a cidade e sim permanecer com a função da estrada que a dividia.


O técnico
Quando Requião venceu Lerner, em 1985, os sedimentos do regime militar, ainda que José Richa como prefeito em Londrina fosse por ele ajudado, foi ponderável como substância ideológica e uma das formas de acuar o mito foi também levar o debate para o lado técnico. E estamos vendo aí a Gleisi Hoffmann a imitar o Bertoldi com a tolerância zero do prefeito de Nova York com sua ida a pedalar pelas ruas de Paris. Na eleição disputada por Vanhoni havia uma linha técnica, nunca porém com a contundência da desencadeada contra Lerner no rumo da desmistificação e não apenas fazendo aquele jogo desonesto de rico contra pobre, bairro contra o centro. Requião não era o candidato de José Richa, que preferia Amadeo Geara. Mas a mobilização de um PMDB, mais denso do que o de hoje e com pluralidade de lideranças, e os egressos da dissidência arenista como Canet Júnior, soube desconstruir com habilidade a imagem da Curitiba paradisíaca e do prefeito genial.


O político
Como a Gleisi e seu marido, ministro Paulo Bernardo, não foram, pelo menos até agora, salpicados pelas denúncias contra o governador Zeca do PT, a quem serviam em Mato Grosso do Sul, quem tentar medir forças com o prefeito Beto Richa terá que atingi-lo duplamente, como ocorreu no embate Lerner-Requião, nos planos técnico e político. De um lado as incongruências e desvios do IPPUC e Diretran fazendo testes com equipamentos ilegais, porque não autorizados, dos quais um deles, o semáforo sequencial, se revelou como fator de aumento de acidentes, a aberta proteção à Consilux na gestão dos radares, cujo contrato é sistematicamente prorrogado, o clientelismo larvar nas relações pactuais; o caos da circulação em Curitiba que desmonta o mito do modelo. E politicamente, de forma massificada, o caso da sogra do Ezequias. Bem executado pode dar em exéquias, como ocorreu com a pensão de José Richa.

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