A arte indispensável
Há na política uma necessidade de o ator em cena saber dominar, e muito bem, a arte da prestidigitação, algo mais sutil que fazer pombas voarem da cartola. O presidente Lula quase repetiu o rei de Espanha diante do bufão Chávez (ele de uniforme de guerra fica pior do que o colega da Nicarágua) ao pedir ao ministro Mantega que não falasse em aumento de tributos. Estava blefando, como se viu agora com o IOF, embora não no caso de nada saber sobre o mensalão, no qual merece o benefício da dúvida.

Nepotismo
Quem faz nepotismo pratica o delito de ''formação de família''. Ou famiglia.

Esgoto
Se lacrassem os esgotos do Palácio Iguaçu e da Assembléia quando lançados no rio Belém seria apenas um caso de redundância. Escatológico também no sentido de fim dos tempos, do homem e da história. A teologia se ocupa do assunto. Embora no caso pareça contra Deus em sua operação final.

Bilingue
Antes o medo no mar era o ''shark'' e agora é o ''shit'', pelo menos aqui. Em Floripa o resíduo em celofane é chamado de ''presentinho'' pelos manés.

Reveillon
Ninguém viu qualquer celebração de fim de ano, mas o Instituto de Turismo da cidade estava autorizado a produzir material informativo (500 mil cópias) ao custo de R$ 295 mil e também a contratar serviços de som e carreta palco (mais R$ 295 mil) para esse objetivo e os eventos de janeiro e Carnaval. É o evento conceição: se subiu ninguém sabe, ninguém viu. Como o caso da sogra do Ezequias que ninguém viu. Nem o deputado Beto Richa que a acolhia no gabinete.

Onomatopaico
Ufa, o IOF subiu: eu mifu, você sifu. Um top top coletivo, socialista.

Folclore
Uns vigaristas andam a vender pelo interior kit escolar já condenado pela secretaria de Educação que fornece o material gratuitamente. É o kit pariu.

Dissimelhanças
O vereador Custódio ficou preso meses por causa da acusação de apropriar-se de parte de remuneração de assessores. Agora há processo do Ministério Público em cima de outro vereador Paulo Frote. Há ainda, na Justiça Federal, aquele procedimento que enquadra os deputados Nereu Moura e Luiz Claudio Romanelli (a saga da doméstica Elza Crispim Calixto da casa do governador) também por fantasmices comuns, mas inadequadas. O caso da sogra do Ezequias é tão ou mais grave e implica em matéria penal que a simples restituição da grana não elide. Beto Richa, no mínimo, vai ter que prestar declarações sobre o assunto já que boa parte do tempo a fantasma Verônica Durau estava no seu gabinete de deputado estadual.

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