LUIZ GERALDO MAZZA
Saudável emulação
Até aqui, Beto Richa leva nítida vantagem sobre Requião em ações políticas e administrativas. Não bastasse o melhor adensamento de quadros da prefeitura, apesar do maior número de estatais de peso no governo provincial, temos um diferencial no dia-a-dia: o conflito com os funcionários estaduais em torno da adoção das férias coletivas e a habilidade maior do prefeito concedendo o que chamam de recesso em troca de compensação de uma hora a mais de expediente.
Beto se valorizou desde que substituiu temporariamente Taniguchi na questão do congelamento das tarifas dos ônibus; Requião nada obteve no pedágio e agora libera as motos de pagamento no ferry-boat de Guaratuba como resposta ao ato do Judiciário que derrubou a isenção a esse tipo de veículo nas rodovias.
Outra de luva de pelica foi a de conceder seis meses na licença-maternidade no município e que o governo teria dificuldade para adotar em função da crise financeira indisfarçável, embora Requião tenha pago em dezembro aos barnabés o 13º e antecipadamente a folha do mês. Já tivemos esse cabo-de-guerra em situações anteriores. Raramente o governo estadual leva a melhor.
Conflitos
Depois que Curitiba ganhou autonomia, afinal consolidada em 1954 com a vitória de Ney Braga como seu primeiro prefeito, tivemos, por várias vezes, conflitos entre os dois níveis de governo em áreas como a dos ônibus já que houve locaute (greve patronal) por duas vezes e numa delas o governo passou ao DER a função de gerir a área, o que caiu no Judiciário. Uma curiosidade surpreendente era o fato de o coordenador do Pladep, Plano de Desenvolvimento Econômico do Paraná, coronel Alípio Ayres de Carvalho, portanto da área estadual, era, também, o criador genuíno do sistema de transporte do município. Quando Requião estava no governo e Lerner ou Cássio Taniguchi na prefeitura tivemos algumas escaramuças na questão da integração das linhas metropolitanas a Curitiba.
Quadros
Apesar da maior densidade de quadros no município, seja na cultura, educação, planejamento, saúde e visão logística e estratégica, isso nem sempre foi assim: alguns órgãos como a Copel e o Badep eram a linha de montagem das áreas decisórias. Tanto que há mais nomes originários do campo estadual em postos nacionais do que os do município, à exceção de Reinhold Stephanes. Os casos de Rischbieter, do Badep, para a Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil, IBC e Ministério da Fazenda ou Maurício Schulman, da Copel, para o BNH e posteriormente à iniciativa privada o comprovam. O ''desmanche'' do Estado Provedor (Requião o cultiva, mas sem condições de restaurá-lo) afetou mais as indiretas do município do que as estaduais, tanto que o IPPUC perdeu aura e, mais do que isso, força nas decisões até para organismos de menor qualificação como a Urbs, hipertrofiada e impotente, isso sem falar que suas prestações de contas, tidas como irregulares, se encontram penduradas.
Em ambos os casos há desafios sérios e alguns comuns como a reposição de massa cinzenta, dado o ingresso do baixo clero, ficam visíveis na centralização que aproxima, como estilo e prática, Beto Richa de Requião pela aceitação das rotinas e a não percepção de um modelo claramente esgotado.





