LUIZ GERALDO MAZZA
Mais vale ser temido do que amado? Essa é uma das candentes questões colocadas por Maquiavel em ''O Príncipe'' e que vale muito na relação entre governantes e governados, pouco importando que ocorra numa monarquia ou na república, até porque no rigor da prática ainda não a temos, quanto aos seus mais profundos significados, como doutrinou o senador Jefferson Perez.
Enquanto Beto Richa aposta em ser amado, postura também seguida pelo Orlando Pessuti, o governador prefere o contrário: ser temido. E convenhamos que, de certa forma, o consegue não apenas diante dos seus disciplinados seguidores como também das instituições. É visível que poderes se mostram suscetíveis aos seus impulsos, todos eles, embora de uns tempos para cá o Judiciário e o Ministério Público e, numa medida mais branda, o Tribunal de Contas venham assumindo com alguma desenvoltura as suas prerrogativas. Do Legislativo nada podemos esperar, pois é condicionante a sua submissão, ainda que no caso do ''tarifaço'' tenha agido em sintonia com a sociedade.
ENTES INTERMEDIÁRIOS - Reações como as da Ordem dos Advogados, da Federação da Agricultura (essa pioneira nos embates), da Federação das Indústrias, do Instituto de Engenharia e especialmente da Associação do Ministério Público (palmas para a combativa e elegante guerreira Maria Teresa Uille Gomes) estabelecem condições para checar todas as formas de intimidação e restabelecer o equilíbrio, bem como ajudar o nosso governante a melhorar como pessoa e gestor.
Num certo sentido, pelo menos no rigor da dialética, o estilo Requião é um desafio a todos. A nossa mídia, de tanto ser espancada, reagiu e melhorou e o devemos aos transbordamentos da tirania, pois sua tradição sempre foi a de acomodar-se a todos os governos e, em muitos casos, vendo neles os clientes principais do seu faturamento. Para defender seus postos de secretários e assessores especiais, os áulicos suportam as mais cruéis humilhações, às vezes amenizadas no tom de uma piada, um gracejo, uma boutade, mas visíveis no desrespeito humano e quase sempre grosseiras.
REAÇÃO COMUNITÁRIA - Agora também as comunidades começam a reagir como se viu nesse lamentável episódio de Antonina em que o governador não precisava apelar para a agressão e o insulto e poderia, e tem talento para tanto, responder com ácidas ironias, a eventuais reclamos e hostilidades. Como é mais prático esperar que o povo e as instituições melhorem do que numa metamorfose do governador vamos confiar na maioria e na contribuição que isso pode representar para o aprimoramento do exercício democrático. Talvez um dia poderemos ter mecânica institucional como a observada na União, na qual o Judiciário, o Legislativo, o Ministério Público e o Tribunal de Contas fixam o sistema de freios e contrapesos que estão distantes do clima opressivo que se dá por aqui. Aliás, quando Rui Cirne Lima via no federalismo uma identificação de origem com o feudalismo, estava tocando no cerne dessa quadra desigual e na qual temos responsabilidades por ação ou omissão. Ninguém tem a inocência proclamada nesse processo, pois dele somos, a um só tempo, sujeito e objeto.





