LUIZ GERALDO MAZZA
A má imagem
Uma das causas da baixa credibilidade político-administrativa do Paraná está na imagem tumultuária, distante do mínimo equilíbrio. O governante, em nome de uma suposta resistência ao neoliberalismo, tentava até uma emulação impossível com o governo federal que jamais romperia contratos como se dava por aqui. É claro que se Lula fizesse o mínimo do que se aprontou aqui ferindo interesses de multinacionais em contratos regulares o custo Brasil iria para o espaço e as consequências seriam traumáticas e desastrosas.
Na esquerda primitiva, dada a selvagerias, isso aparentava uma sintonia com o bufão venezuelano e em certa medida tendo até a primazia dessas ações vistas como nacionalistas e antiimperialistas, fato destacado, mais de uma vez, pelas publicações que agem em coral com os utopistas regressivos.
A pequena escala
Desídia, gestão temerária e descumprimento de decisões judiciais fizeram com que a visão externa do Paraná fosse muito próxima do caos. Não dá para imaginar num cenário desses um esforço semelhante àquele que trouxe as montadoras. Desapareceram os estímulos e a prioridade passou a ser investir no micro e pequeno empresário, a suposta fantasia de que esse nicho é o que mais emprega, com o que praticamente se ressuscitou a pequena escala e o canto ingênuo e minimalista de ''o pequeno é belo''..
O imobilismo
A substituição daquele mínimo de planejamento pela discurseira supostamente ideológica na pretensão de que tais referenciais é que deveriam balizar o rumo do governo gerou o imobilismo e com ele a nossa perda de posição relativa no Sul do país. Se já levávamos aqui uma surra mormente nos indicadores sociais (escolaridade, mortalidade infantil e geral, também expectativa de vida) passamos a perder num setor em que vínhamos ganhando maior nível de participação na renda nacional.
O 'apagão'
Não dá para calcular a dimensão desse ''apagão'' num horizonte futuro. Há quem imagine uma perda em décadas, posto que a economia funcione, e isso faz muito tempo, independentemente da ação governamental. Santa Catarina, para ficar num exemplo visível, com sua malha portuária articuladíssima e ainda em expansão, nos ultrapassou nesse referencial logístico. E perdemos por quê? Enquanto nossos vizinhos seguiram a linha da modernização dos portos que aposta na ação da iniciativa privada (em São Francisco, Itajaí, Itapoá etc estão sendo investidos quase R$ 3 bilhões) aqui se aposta na retórica do setor público, embora se tenha feito apenas a nova sede administrativa e o terminal alcooleiro e sem tocar a dragagem do Canal da Galheta e que pode interditar o porto à navegação, conforme alertamento da Marinha de Guerra.
O 'social'
Fala-se muito, mas age-se pouco em relação ao ''social'' e tanto isso é verdade que temos mais de 70% dos municípios com IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) baixíssimo e com evidências de que as intervenções enunciadas são frágeis para deter a concentração da riqueza na Grande Curitiba enquanto pólos dinâmicos ao norte e oeste perdem posição relativa. Discurso não gera renda, embora aqueça o clima emocional e de comício. Desnível regional e social está aí à vista de todos.





