LUIZ GERALDO MAZZA
Haja escatologia
O governador, como não sabia dar resposta à pergunta de um repórter sobre o aumento de tributos, repicou dizendo que o inquiridor tinha merda na cabeça. Usar esse tipo de expressão é monopólio de inteligentes e cultos como se deu no Brasil em 1982, com o genial Pietro Maria Bardi que, revoltado com o uso das paredes do Museu de Arte de São Paulo para pichações políticas, escreveu a palavra, em caracteres garrafais, naquele muro, razão pela qual foi preso. Também décadas passadas do século anterior, aqui no Paraná, o professor universitário e pastor evangélico Ernesto Luís de Oliveira escreveu um texto que deve figurar em todas as antologias ''O elogio da bosta'', ao replicar um editorial de jornal conservador que estranhara o uso da expressão numa fala a colonos eslavos na Lapa sobre possível emprego de dejetos como fertilizantes.
Nos dois casos citados há sentido pedagógico. No daqui apenas grosseria, autoritarismo e falta de educação. Afinal, ele trata os seus iguais de governo na base da ofensa, o que parece torná-los mais submissos, o que neste caso passa, diante daquele auditório específico, a ser didático. Só ali.
Modéstia
Ernesto Luís de Oliveira polemizou com Enrico Ferri, da Escola Positiva do Direito Criminal, e com o teólogo católico Leonel Franca. Apesar disso, quando lhe perguntavam qual o seu maior orgulho, respondia: o de ser pai do atacante Luisinho da seleção brasileira de 1938. Talvez o mesmo de Coelho Neto diante do filho Preguinho, atacante do Fluminense e do escrete de 1934. A propósito, Lima Barreto não gostava do futebol e nem de que ele fosse fator de mobilidade para os negros. Muitos se valem de postura semelhante em relação à música.
Fraterno
Raro é um intelectual ver no futebol um fator de agregação de primeira ordem como se deu com o filósofo, teatrólogo e romancista Albert Camus, que por sinal foi goleiro do Orange, da Argélia. Ou o Zé Lins do Rego e suas relações com o Flamengo. O derradeiro e agudo romance de Cristóvão Tezza, ''O filho eterno'', tem um pouco disso ao tratar da identificação do Atlético Paranaense como fator interativo na sensibilidade do jovem portador de Down.
Contradição em termos
Mangabeira Unger, o homem das soluções de longo prazo, vir na ''escolinha'' é um quadro de contradição em termos, pois ali só se trata de um imediato em coloração neurótica e de um passado idealizado ao gosto da figura central.
Folclore
O candidato mais fácil de derrotar, e com um discurso de Requião, é Rafael Greca, se eventualmente saísse vitorioso das prévias: bastava colocar no ar os pronunciamentos no Senado sobre o então ministro do Esporte e Turismo. É disparado o melhor candidato, mas também o mais fácil de derrubar. Sua nave como a capitânia dos 500 anos não sai do lugar.





