Ainda há tempo


O PMDB celebra os 25 anos de atividade política de Requião e é bem capaz de, valendo-se da oportunidade, lançá-lo candidato presidencial outra vez. E para melhorar a atmosfera aquele que o derrotou na prévia do PMDB, Orestes Quércia, por ele fustigado como corrupto, estaria disposto a apoiá-lo.

É excepcional o fato de ter sido eleito por três vezes, mas se houver um balanço criterioso da herança que deixou em termos de obras e feitos na área política nem de longe se aproxima de qualquer daqueles governantes que ficaram por mais de um período no Palácio São Francisco ou no Iguaçu. Só é positivo naquilo em que deu continuidade ao que empreenderam os antecessores como na hidrelétrica de Segredo ou na rodovia São José dos Pinhais-Garuva e ainda, de forma especial, no aproveitamento adequado do Museu Oscar Niemeyer.


Paralelos impossíveis



Não tem o pique intelectual de um Munhoz da Rocha e muito menos a obra. Com Ney Braga, então, o paralelo é impossível, apesar de no retorno ter perdido e muito do que desenvolveu na primeira gestão pela integração física do Paraná e a implantação de um sistema de planejamento para valer. Não tem ainda sequer a expressão de comando de um Manoel Ribas e mesmo de um Moisés Lupion. Se fosse injustiçado como Lupion dificilmente mostraria a grandeza de um homem que entrou rico na política e dela saiu pobre.

O pior é a escassa expressão nacional de Requião que mal emprega os seus talentos em conflitos em busca do mito de ''justiceiro'', daí a credibilidade baixa do nosso Estado, não correspondente ao peso da contribuição da nossa economia. Se o Paraná fosse levado a sério, a batalha dos transgênicos e a do pedágio teria sido acolhida pelo impacto da iniciativa.





Herança de risco



Todos os governantes, de uma forma ou de outra, deixam os chamados passivos judiciais. Alguns anteriores à gestão de Manoel Ribas ainda estão aí como os mais recentes do período de Lupion na concessão de terras e os do período neysta como os precatórios da Estrada de Ferro Central do Paraná e tantos outros. Ninguém, com tanta ênfase, empenhou-se em rupturas contratuais como Requião, de forma sistêmica, algumas ''resolvidas'' com grande prejuízo para o erário como a da Usina de Gás de Araucária em que pelo menos reduzimos para quase a metade uma indenização que poderia chegar a US$ 800 milhões na Corte Arbitral de Paris e outras novelescas como as travadas com o Banco Itaú e essa do grupo Dominó de acionistas minoritários da Sanepar até hoje enrolada, embora transitoriamente com uma decisão favorável.



Tempo de reversão


Nessa celebração das bodas de prata com a política seria indispensável mostrar que ainda há tempo, em quatro anos restantes, para fazer alguma coisa dessas que o tempo não corrói como a complementação da ferrovia Guarapuava-Cascavel em malha adequada até o Porto de Paranaguá e ainda o ataque a obras da Copel, entre elas a de Mauá bem como a continuidade dos aproveitamentos daquela bacia hidrográfica. E iniciar algo para reduzir desníveis regionais e sociais, pois apesar da nossa modernidade 70% dos nossos municípios têm IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) abaixo do suportável.
Isso, porém, só virá com reflexão, decisão e menos emocionalismo.

mockup