LUIZ GERALDO MAZZA
Richa e Fórmula 1
Se sair alguma prova automobilística ou de kart no dia da eleição, o prefeito Beto Richa, tão certo está da vitória, a soberba lá em cima, que justificar-se como eleitor em trânsito, uma espécie de ''pit stop'' para o espírito, será a sua saída. Que os candidatos da oposição mostram-se frágeis ninguém ignora, mas esse tipo de certeza é bem próximo da ignorância.
De qualquer forma, é também um desafio ao Exército Brancaleone da oposição, cuja candidata mais viável imita o roteiro do Vanhoni em tudo.
Parcialidade
Mesmo que se alegue o monopólio da força pelo Estado, a prisão dos vigilantes e a soltura dos invasores da Syngenta é de um facciosismo exemplar. O normal será o Judiciário restabelecer sua decisão anterior e determinar o despejo. Se insistir em ganhar tempo, como o governo fez das vezes anteriores, uma nova acusação pode ser feita e com provas eloquentes - a de obstruir reiteradamente o livre funcionamento dos poderes. Isso dá intervenção federal.
Tem razão
Se na história da Syngenta e em outras o governador não tem razão, nessa de cobrar indenização pela construção da rodovia federal São José-Garuva junto à União está certíssimo. Deveria até ter levantado essa pendência antes da licitação do trecho Curitiba-Florianópolis e pleiteado a urgência na decisão.
Emoções
Sob o aspecto lúdico, o jogo em si, ir ao futebol ou à Fórmula 1, é sempre mais gratificante do que a uma convenção partidária com resultado já esperado. Ainda mais de partidos com a fidelidade assegurada pelo STF, uma espécie de ISO 2007, certificação de qualidade absoluta.
Folclore
O uso das marchinhas e das histórias em quadrinhos para o esforço de guerra foi aplicado à exaustão. Havia uma que caricaturava Hitler: ''Quem é que usa um cabelinho na testa// e um bigodinho que parece mosca// só cumprimenta levantando o braço// êh-êh-êh palhaço!// Quem tem um Gê que representa a Glória// e um Vê que ficará na história// E um sorriso que nos dá prazer// êh-êh-êh Vitória//''. E o povo cantava fazendo o V da Vitória. Quanto ao ''Gê'' e ao ''Vê'', obviamente era referência/reverência ao ditador Getúlio Vargas.
Desvio
Há muito detalhe a esclarecer sobre a fidelidade partidária e um deles pode ser suscitado pelo senador Flávio Arns: o desvio ético do PT formalizado, afinal de contas, na aceitação da denúncia pelo STF contra os mensaleiros, a principal e mais apregoada bandeira do partido ao longo do tempo.
Rebelião
Bancos e agentes financeiros que operam no crédito consignado estão na bronca, e pesadíssima, contra a prefeitura por haver favorecido o Santander ao permitir reformas de contratos até 72 meses e quebrando normas isonômicas. Pretendem ir à justiça para mostrar que Beto Richa desrespeitou regras pré-estabelecidas.
Enquanto Requião tenta baixar juros da área, Beto Richa afrouxa.





