LUIZ GERALDO MAZZA
O nepotismo desinteressado
Há um exemplo de nepotismo desarmado, desinteressado, na política regional: o de Gamaliel Bueno Galvão, que se lançou candidato à reeleição de deputado federal e fez dobradinha com o seu filho para estadual. Há quem diga que o simples fato de submeter-se ao crivo eleitoral elimina o lado pejorativo das armações parenterais: além de termos dois senadores irmãos, o que é chocante para uma sociedade tida como ''complexa'' e distante das oligarquias, ainda contamos com os Stephanes, pai e filho, aquele deputado federal licenciado para assumir o Ministério da Agricultura e esse um combativo estadual que cortou o embalo da louvação monocórdia de exaltação do mitificado Guevara, o que é um gesto importante contra o pensamento único.
Pergunta-se: esse seria o caso do Rubens Bueno, que estaria propenso segundo setores do PPS a incluir a filha Renata na lista de candidatos à vereança, como já o fizera antes como postulante à deputada federal? Como Bueno é, da mesma forma que Requião, o dono do partido, fator decisivo na saída de Ratinho Júnior, que obviamente aspira luz própria, argumenta-se, o que afinal é apenas uma suposição, que colocaria a máquina disponível em favor da filha. Se for ele novamente, o que é a melhor solução em termos eleitorais, como candidato à prefeitura da Capital, ficaria com essa ''capitis diminutio'' em relação à filha até porque seu partido produziu a melhor peça da campanha governamental passada justamente com a caricatura dos irmãos Walton com o Palácio Iguaçu transformado num condomínio familiar.
Por falar em nepotismo esclarecido ou desarmado, o Ministério Público teria afrouxado o garrão com os últimos ataques de Requião na escolinha? É o que saberemos brevemente.
Antonina
A Administração dos Portos do Paraná estaria reservando a Antonina um outro papel, agora como receptor de turismo, o que diversificaria as suas atividades hoje dependentes do terminal de congelados da Ponta do Felix e de uma prometida e até agora não cumprida reativação das instalações do Matarazzo.
Licença
A licença de Renan Calheiros por 45 dias da presidência do Senado para garantir a votação da CPMF pode esbarrar em algumas dificuldades. Ocorre que a moeda de troca, uma descompressão circunstancial como a saída do presidente do Congresso, é pesada demais pela violência da tributação. Há também pela acumulação de desgaste a disposição de segurar nessa ausência os procedimentos na Comissão de Ética para retomá-los depois do retorno, restabelecedo o inferno. Estreita-se assim a possibilidade de saída que atenda Calheiros, notadamente depois que usou de espionagem e de violência como o afastamento dos peemedebistas Pedro Simon e Jarbas Vasconcelos, figuras históricas da resistência, da Comissão de Constituição e Justiça para neutralizar reações adversas, prática notória de cangaço.
O cronograma do aperto no presidente do Senado se tornou longo por exclusiva decisão do presidente da Câmara Alta que até uma certa altura contou com apoio de Lula e da base aliada e que posteriormente se esgarçou.





