Mediação razoável
O decreto sobre taxas máximas nos empréstimos consignados fixou parâmetros médios do mercado. Tanto que há dois anos a Caixa Econômica já havia adotado 1,5% a empréstimos de 2 a 6 meses, de 1,9% entre 7 a 12 até chegar a 2,40% para contratos de 25 a 36 meses. A intervenção do governo paranaense, de certa forma, respeitou indicadores do mercado, além de reduzir de 50 para 40% o máximo percentual que os funcionários poderiam comprometer com essa operação nos seus salários. O fato é que se torna assustador o número dos que enfrentam problemas graves por causa dos descontos.
Se consultarmos a listagem do INSS verificaremos que na Caixa Econômica a taxa para contratos de um a seis meses é de 0,92%, do sétimo mês em diante de 1,62%; no Banco do Brasil era de 0,95% até seis meses, de 1,7% até 12 meses, de 2,16% até 18 meses e de 2,3% de 19 até 36 meses. O caso do INSS tinha uma dimensão dramática por causa do baixíssimo valor de aposentadorias e pensões.
Pela nova regra a taxa é de 1,36% de 2 a 6 meses, de 1,74% de 7 a 12 meses, de 1,82% de 13 a 24 meses e de 1,85% de 24 a 36 meses. Estabelece-se, portanto, uma faixa apreciável de negociação entre os competidores porque o indicador oficial é o máximo. É desnecessário mostrar que as 29 instituições, entre bancos, financeiras e cooperativas, não correm o menor risco com esse tipo de operação com inadimplência zerada.
Não há consequentemente uma intervenção no mercado, mas um balizamento de proteção mínima respeitando a oferta e procura e estimulando concorrência.

Mobilidade urbana
O teste feito no meio da semana com um motorista, um pedestre, um ciclista, um motociclista e um passageiro de ônibus mostrou a obviedade de que o há de pior em Curitiba é usar o carro. A moto chegou em primeiro, a bicicleta em segundo e o pedestre ganhou do passageiro de ônibus e da motorista.
O prefeito quer criar bicicletários que também se ajustam à visão de lazer das ciclovias de Lerner e não a de encarar a bicicleta como alternativa de transporte. A tese de ter faixa na já estreita pista de rolamento das nossas ruas para o ciclista conflita com o predomínio dos veículos a motor e ganha um ar meio quixotesco, mas de qualquer forma válido.

Incoerências
O maior incoerente nessa questão de modal de transporte foi Lerner: quando instituiu o calçadão e juntamente com o Anel Central de Tráfego Lento ele estava dando o pontapé inicial nas transformações urbanas tão badaladas. Isso na primeira gestão de prefeito. À época afirmou que não se descobrira pílula contra o automóvel e que a estratégia consistia em apostar tudo no transporte público que de fato melhorou significativamente.
Todavia, no seu primeiro mandato de governador, trouxe as montadoras que dão uma contribuição relevante no ingresso de quase 4 mil carros novos por mês em circulação num sistema sabidamente saturado. Da área automotiva ajudou antes a trazer a Volvo e a New Holland de máquinas agrícolas.

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