O nó portuário
  O governo reage irado à cada vez que se demonstra o gargalo da exportação na precariedade do sistema portuário, agravada pela sustentação de conflitos que decorrem de gestão sabidamente temerária. No quadriênio de 2006 a 2009 o Paraná estará praticamente zerado na partilha de recursos privados nos portos brasileiros e Santa Catarina salta à frente com 36% dos investimentos seguida de São Paulo com 32%, Espírito Santo com 19% e Rio de Janeiro com 13%.
  O clima aberto ao conflito permanente, nutrido por uma das maiores idiotices de nossa história com a guerra aos transgênicos, a paralisia em investimentos no Cais Oeste, segundo silão e especialmente na dragagem, explicitam o curso das denúncias codificadas no dossiê de Leopoldo Campos, ex-diretor técnico. A forma como houve a demissão do denunciante é ilusória queima de arquivo, isso porque será necessariamente apurada por órgãos da União, entre os quais o TC que fez diligência justamente sobre desestatização.
Um dos últimos lugares
  Um trabalho do Centro de Estudos em Logística, fundado em dados da Antaq – Agência Nacional de Transporte Aquaviário – revela que de 2001 a 2005, portanto abrangendo dois anos de Lerner e três de Requião, no volume em toneladas, Paranaguá com 4% de incremento só sai à frente de quatro portos: Rio Grande (2%), São Sebastião (2%), Rio de Janeiro (2%) e Suape (-12%). O índice do nosso terminal foi de 4%. Enquanto isso aqueles que mais apostaram na iniciativa privada como Itajaí dispararam na frente com 128% de aumento, seguido de Sepetiba com 71%, Salvador 57%, Santos 49% (um investimento especial fora da vocação, o de um terminal graneleiro, é exemplar), Tubarão 45%, Aratu 38%, Manaus 37%, Vitória 36%, Itaqui 35% e São Francisco do Sul 22%. O complexo catarinense, em conjunto (em andamento o de Itapoá), supera a condição estatística que o Paraná desfrutava.
Guerra de grupos
  Há uma notória guerra de grupos de influência no porto de Paranaguá, tornada visível não apenas no corpo das denúncias do ex-diretor técnico que alcançam o ex-ocupante da função, o engenheiro Ogarito Linhares, aquele que saiu candidato a prefeito pelo PMDB, e mais ainda entre a gestão do terminal e o corpo de engenheiros que volta e meia aparece como supridor das informações negativas, sempre, no entanto, de caráter técnico. Licitações do Terminal de Fertilizantes (mais de trinta itens não possuem projeto e especificação adequada) e do Silão Público são apontadas como falhas e mostrando que a empresa vencedora no Terminal de Álcool deixou problemas e materiais inadequados e de baixa qualidade.
Consenso impossível
  Operadores portuários, empresas de navegação e a própria Marinha chegaram a um consenso relativo à dragagem, porém o clima de discórdia ali imperante, tanto que até a evidência de que se trata da prioridade um do porto, não impede que o assunto seja distorcido e prejudicado. Há a acusação de que se privilegia no caso o TCP (Terminal de Contêineres do Paraná), que seria beneficiado com as obras e cujo executivo, Juarez Moraes e Silva, comanda o grupo de estudos e foi quem conseguiu o clima de concórdia. Um dos chistes – o de que entraria ‘‘areia no negócio’’– visa mostrar ganhos do TCP.

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