LUIZ GERALDO MAZZA
Confronto impossível
Nos dois níveis de governo, o federal e o estadual, é impossível esperar que instituições como o Ministério Público, Tribunal de Contas, o Judiciário e o Legislativo sejam postos em confronto operacional, embora a semelhança das respectivas prerrogativas. Com toda a popularidade do presidente Lula, o que também não ocorre na província, pois é visível que o nosso governante está em baixa, as instituições funcionam com desenvoltura aqui jamais experimentada. É atípica a reação do MP diante do fato de ter sido jogado contra a parede e humilhado.
Há algo que se compare aqui a um julgamento como o do mensalão e uma atuação como a da Procuradoria da República? Certamente não. O que se estende ao TC estadual, respeitoso demais e pisando em ovos diante das irregularidades, enquanto o paradigma da União mostra uma rotina de monitoramento ainda agora revelada no volume de obras do PAC embargadas por quebra das normas.
Analogia de estilo
O presidente da República não transborda como o nosso governador em rupturas contratuais e não perde a serenidade nas crises e ainda mostrando habilidade e uma certa linha de pasteurização em ''cobrir'' Renan Calheiros sem expor-se demais. Quanto aos contratos é visível que se Lula tivese o estilo Requião o risco Brasil teria ido para as cucuias com a máxima naturalidade e todo o programa de estabilidade bem como investimentos internacionais iriam por água abaixo.
Papel da mídia
Igualmente instituições como a mídia, embora a nossa tenha melhorado em razão dos ataques do governador, são incomparáveis com as de âmbito nacional, afinal no exercício normal das funções de cobertura no registro e análise dos fatos. É por isso que se sente nas unidades federativas o peso desequilibrado do poder local e, de certa forma, relembrando o conceito de Rui Cirne Lima, mestre em Direito Público, que mostrou as identidades mais do que semânticas no conceito de federalismo como decorrente de ''feudalismo'' para desenvolver o senso de uma autonomia relativa que sustenta a integração nacional. Deu para percebê-lo e de forma ostensiva nos desdobramentos das celebrações no interior de Alagoas que marcaram a absolvição do presidente do Senado.
Menos democracia
O Paraná, em muitos aspectos, ainda que tido nas diretrizes da sociologia como uma ''sociedade complexa'', reproduz os ordenamentos do patriarcalismo e das estruturas cartoriais do poder. E o nosso nível de renovação de lideranças se equipara ao que se observa em áreas atrasadas do País, posto que São Paulo e Minas não sejam um referencial bom nesse ponto de vista. Alvaro Dias está aí para confirmá-lo desejando voltar ao governo, no qual foi rejeitado por duas vezes e repetindo-se com Requião, afinal eleito três vezes, o que se deu com Munhoz da Rocha, Ney Braga e Moisés Lupion, todos sem um herdeiro político.
No Brasil meridional apenas o Rio Grande do Sul dá sinais de renovação, onde nem o PT, muito organizado por lá e ainda recebendo nutrientes, se é que são eficazes, do ''Fórum Social'' não conseguiu reter o poder, tanto no governo estadual como na Prefeitura de Porto Alegre.





