LUIZ GERALDO MAZZA
Ainda a Copel
O uso político da Copel não é novo. Durante o ''neysmo'' seus quadros foram linha de montagem para o secretariado, isso sem considerar que sua massa crítica se incumbia de planos de governo em épocas eleitorais. Às vezes se meteu onde não era chamada como quando fez projeções demográficas como a do Censo de 1980 em que previa 10 milhões de habitantes, número que só atingimos agora, quase trinta anos depois.
Sob o ponto de vista de mercado e por estar com 60% do seu capital social em mãos privadas, indicador parecido com o da Petrobras, a empresa deve dar retorno a acionistas até porque, tanto agora como na gestão passada, celebrou feitos na Bolsa de Nova York. Entrando numa parada política, a de disputar uma licitação em que brigará por remuneração baixa no pedágio, colocará em risco o interesse da maioria de acionistas.
A decisão de colocá-la na engrenagem no campo das rodovias a obrigará a depender inclusive de empreiteiras do setor por essa não ser sua praia. Ainda no governo passado, e isso teve um viés político, houve aquele prejuízo da aplicação do fundo de pensão da empresa no Banco Santos. Gestão temerária é algo que pode ser vetado por acionistas na instância apropriada como se dará certamente com os casos da Sanepar em trombadas com o grupo Dominó e que irão provavelmente à análise da Comissão de Valores Mobiliários.
Identidade
A notícia de que a rede de tv de Paulo Pimentel seria adquirida pelo grupo Massa (Ratinho), acoplado ou não a Sílvio Santos, se confirmada, tem ao menos um fator positivo: o de ficar em mãos de gente com raízes na terra. O ciclo das fusões, que estamos vivendo, expresso na passagem da Matte Leão para a Coca Cola, e antecipado pelas perdas da Refripar e tantas outras, alerta para riscos. Houve o caso Batavo, daí porque ser relevante ver a saúde do nosso modelo cooperativo, liderado pela Coamo, a melhor do Brasil.
Há ainda acidentes de percurso como o ocorrido com a CNT, que chegou a ser cabeça de rede nacional, na negociação com Tanure e que expuseram uma perda de oportunidade em favor da nossa identidade num canal aberto.
Nada justifica reação chauvinista como a que se colocou quando a RBS andou fazendo abordagens com grupos locais, mas o extremo da tolerância e da passividade também não nos servem.
A covardia
Nem um petista assinou, afora o próprio autor, Tadeu Venéri, a Pec do nepotismo. Já na votação anterior os requianistas do PT como Vanhoni e Stica votaram contra a decisão de bancada que apoiava a medida. Como se vê a visão de ética, da qual o partido pretendia o monopólio, é muito seletiva. Tanto aí como no caso nacional do Renan Calheiros. Depois do mensalão não há como conter a avalanche de pragmatismo e de cinismo como o de dizer que todos fazem o mesmo, conforme argumenta a filósofa Marilena Chauí, especialista em Baruch Spinoza, do qual uma das principais obras é justamente ''A Ética''. Aliás, Marilena foi vetada para o Conselho Nacional de Ética por haver praticado o pecado nada venial do plágio em tese acadêmica.





