LUIZ GERALDO MAZZA
Baixa representatividade
A novela da supressão da multa da Secretaria do Tesouro Nacional ratifica aquilo que todos sabem: a absoluta falta de representatividade do Paraná como expressão política. E o devemos certamente à rala expressão dos agentes políticos e administrativos.
Apesar de o País dever boa parte do efeito prático da denúncia do mensalão a figuras como os deputados federais Osmar Serraglio e Gustavo Fruet e o Brasil ter em nossa unidade, como expressão econômica, um dos fatores de deslanche comum, abusa-se do mau tratamento e não há reação à altura.
Quem gosta de moleza é bebum em ladeira.
Previdência
O fato de o governador ter retirado parte da representação dos servidores na direção da ParanaPrevidência gerou muita preocupação. É que na primeira gestão ele criou um sistema previdenciário e que liquidou quando o delegado dos funcionários no Conselho Curador mostrou que a aplicação do fundo no Banestado rendia taxas inferiores às vigorantes no mercado. Foi o suficiente para que Requião desconstruísse, com apoio parlamentar, a estrutura montada. Agora mexeu também na divisão interna de poder com o aplauso legislativo.
Aliás o Tribunal de Contas pede auditoria em setores contábil, financeiro, operacional e patrimonial relativa aos exercícios de 2006 e 2007.
Caixa preta
Em bloqueio a investigações normais, Beto Richa se iguala a Requião, tanto que a sua base de vereadores foi orientada para que os dois dirigentes da Urbs envolvidos diretamente nos desvios de função e em troca de denúncias não fossem ouvidos. É o anverso do pai que encarou a crise dos dólares, abrindo o debate entre acusado (Erasmo Garanhão) e acusador (Belmiro Valverde) em sessão pública na Assembléia, as figuras mais fortes do seu secretariado. A Urbs tem vários exercícios de suas contas não aprovados e até por essa razão o clima de caixa preta é inaceitável e mantém tudo sob suspeita.
Retaliação
A saída de João Formighieri da Imprensa Oficial não foi tão pacífica quanto as duas partes, ele e o governo, sugeriram: o governo estava dificultando as coisas para terceirizadas e até a merenda se encontrava racionada. Não houve alternativa para o diretor se não o pedido de demissão. Não foi um bracelete, mas um braço de ferro.
Folclore
Freitas Neto está na redação do ''Estadinho'' conduzindo a secretaria quando entra na sala o Antonio de Paula Filho, delegado do Trabalho, também jornalista, que lhe traz missão dos organizadores do congresso da categoria que sairia em Curitiba. Paula Filho diz que veio em nome do Jocelyn e pronuncia Jocelan e o Freitas, sem tirar os olhos do texto que avaliava, responde ''pois san''. Jocelyn era jornalista e oficial da Aeronáutica, ligado às esquerdas, um figuraço. A última vez que veio a Curitiba lançar seu livro usava uma bata oriental e com a qual desfilava nas ruas centrais.





