LUIZ GERALDO MAZZA
Exemplo do Judiciário
Guardião do Estado de Direito Democrático, o Poder Judiciário se agiganta no caso do mensalão, removendo os resíduos de ceticismo jurídico. E agora aqui, onde tanto necessitamos de exemplos de interdependência e harmonia entre os poderes, o desembargador Rosene Arão de Cristo Pereira concedeu liminar em favor da oposição para que o governador cumpra o dever constitucional de dar informações aos deputados sobre a questão dos remédios sonegados.
Fascimo
Íttala Nandi descobriu que o paranaense é fascista, intimidado e não viu nada disso no maior de todos, Roberto Requião, aquele que a nomeou. Como Sartre se referia ao Diabo, fascistas são os outros.
Fernando Pessoa
Diante da agressividade da atriz muitos lembraram do jornalista e poeta Fernando Pessoa Ferreira, que chegou a dirigir o Teatro Guaíra, e que fez uma caricatura pesada de Curitiba na Revista de Cabeceira do Homem. Para resumir o piche que deu na cidade basta a análise do nome da cidade dizendo que Ritiba, o sufixo, quer dizer ''do mundo''.
Roto e remendado
O sindicato da propaganda externa pediu à prefeitura que coibisse o sistema de alto-falantes, comuníssimo na cidade, sob a alegação de que há poluição sonora. Só que eles são os da poluição visual que precisa de um Kassab de São Paulo para botar ordem no caos.
Homonimia
Na ânsia de prestar vassalagem à sociedade do espetáculo, o pessoal da área de segurança se amarra em tudo para mostrar eficiência: dias passados pegaram um carro que acreditavam ser do campeão olímpico Gustavo Borges e que na verdade pertencia ao publicitário Gustavo Borja. Açodados no intento de aparecer chegaram a atribuir intenções ao Borja tomado por Borges. Ele, a vítima, ofereceu uma piscina de compreensão quando poderia até processá-los.
Folclore
Um boato pode gerar situações incômodas: na greve dos jornalistas de 1963, que eu propus em assembléia unitária com gráficos, deixamos Curitiba três dias sem jornais. O ''Diário do Paraná'' conseguiu furar e nós montamos um piquete gigante na frente do jornal para impedir a saída dos exemplares. Um carro dos bombeiros foi colocado diante do prédio e vários grevistas ficaram embaixo do veículo. Inventaram uma piada de que o jornalista Valmor Marcelino estava no meio da manifestação com a bandeira soviética e que eu teria retrucado: ''Essa não, traga a antiga''. Apesar do absurdo no IPM que se seguiu, depois do golpe, um sargento sumariante perguntava se aquilo era verdade. A antiga era a brasileira. Sacanagem típica da guerra fria.
Alvo
Requião levou quatro anos e oito meses para descobrir que promotores obtiveram vantagens indevidas na ParanaPrevidência em 1998 e agora, além de execrá-las, pretende a anulação. Há um desespero interno em torno da descoberta bem tardia. Quem vai se incomodar é o presidente da instituição, José Maria Correa, que está no exterior. Só falta alegarem que sendo policial de origem deveria ter detectado a irregularidade. Haja patrulheiros.





