Golpe no ceticismo
Só há uma forma de conter o ceticismo político no Brasil: um pouco mais do que o ritual do julgamento dos atores do ''mensalão'' pelo STF. Ocorre que a sociedade está abalada com tantas denúncias que revelam ativismo da Polícia Federal seguidas de nenhum esclarecimento e com vitória da impunidade. Da expectativa e da ansiedade se chega à frustração.

O país carece de um golpe nesse ceticismo e o desafio foi aberto com o caso do mensalão. Embora a simples aceitação da denúncia não sirva de garantia é um passo à frente. Indispensável que a mecânica institucional funcione e que não se repita um cenário como o de Collor, onde a sociedade nas ruas operou mais do que agora, o que não passou de uma punição política, pois é indispensável que haja também a cobrança jurídica que não houve no caso dos ''anões do
orçamento'' ou no do painel do Senado.

Vaias
A vaia pode ter classificação e até taxonomia acadêmica. A que tentaram contra Lula nas imediações do Hotel Bourbon, anteontem, é a encabulada, o agente não tem convicção mínima do que pretende e não é livre como aqueles que deram a vaia nos Jogos Panamericanos.

Há ainda a vaia ''bocca chiusa'', boca fechada, educada, aristocrática, que se usa no meio de um recital lírico, por exemplo. No Guairão Lerner levou uma dessas, um ruído delicado, sutil, porém marcante.

Modelo chavista
Roberto Requião não desiste da postulação presidencial: palestra na Fiesp com referências à Copel como paradigma. Já fez isso antes e deu com os burros n'água quando enfrentou Orestes Quércia nas prévias do PMDB.

Agora, porém, está confiando no socialismo do século XXI, bolivarianismo, coisas retrógradas, que parte do público assimila. Só que a prática do Estado Provedor, por exemplo, não funciona em sua gestão: meteu o pau no IBPQ, Instituto Brasileiro de Produtividade e Qualidade, e recentemente o DER e o Tecpar firmaram contratos com a instituição por ausência de técnica e quadros.

O sapador
Rafael Greca, em função da ''atolada'' na lama, foi olhado como um sapador, o que detecta minas, para evitar acidentes com o presidente em Piraquara.

Folclore
Se a claque requianista fosse coerente, depois de aplaudir as agressões à mídia teria que vaiar Lula quando o presidente o corrigiu por seu nervosismo. Aí ela entrou em ambivalência: bateu palmas sem entusiasmo. A submissão também tem seus mistérios e constrangimentos, todavia é essencialmente ridícula. O fascismo é um estado de espírito.

Susto
A paranóia tomou conta do PSDB municipal e de uma suposta guerra contra Beto Richa que viria do governo federal para cacifar Gleisi Hoffmann. Ela atingiu veículos alternativos que disputam esse apoio. Divertidíssimo. Falar em Ezequias é indicador de comprometimento com essa onda como se o fato da fantasmice da sogra não houvesse ocorrido.

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