Ainda a Bahia
  A propósito da morte de Antonio Carlos Magalhães, o ‘‘painho’’ baiano, fizemos aqui duas rememorações: a primeira a de que nosso mais importante estadista, também lá nascido, pela relevância dos postos ocupados na monarquia, foi justamente Zacarias de Góes e Vasconcellos. Presidente do Conselho de Ministros, algo próximo de um premiê, embora o regime fosse tão concentrador que na Carta de 1824 se estabeleceu o poder moderador em favor do Executivo, Zacarias foi ainda ministro da Marinha e governador de três unidades federativas.
  Tivemos expressões como Jesuíno Marcondes, Munhoz da Rocha, Ney Braga, mas mesmo este, embora a duração do seu domínio, não teve essa relevância de traço nacional, ainda que como hegemonia regional tivesse sido o preferido por algumas correntes militares, ligadas aos ‘‘pombos’’, a figurar como postulante à presidência e levado a melhor sobre o general Costa e Silva num teste interno que precedeu a escolha aqui no Paraná.

Sociedade ‘fraterna’
Outra afirmação foi em cima do paradoxo de apesar de sermos, sociologicamente, no rigor da palavra, uma ‘‘sociedade complexa’’ politicamente reproduzimos em muitos aspectos o que há de mais condenável no coronelismo, mimeticamente dissimulado nos sinais externos e modernosos. É o nepotismo pouco esclarecido permeando os poderes, a circunstância de um governante como Requião estar no terceiro mandato e a curiosidade de dois irmãos no Senado que ainda podem, e isso nada tem de impossível, disputar o governo e num segundo turno. Falta de oxigenação nos nossos quadros para dizer o mínimo. Com uma agravante: estamos formalmente numa democracia com transbordamentos autoritários, piores do que os da ditadura Vargas e o reinado de Maneco Facão e os do regime dos milicos e a imanência do neysmo. Tanto Ney quanto Manoel Ribas empreenderam mais do que os democratas.

Brasil diferente
A visão de um ‘‘Brasil diferente’’ como pretendeu Wilson Martins, durou muito para manifestar-se como expressão política: um conflito entre Munhoz da Rocha e Ney Braga, aquele havia lançado este como prefeito de Curitiba, permitiu a presença de Paulo Pimentel, uma expressão do pioneirismo como o são os irmãos Dias. Já um Jaime Lerner derruba a tese do mestre Ricardo de Oliveira das vinculações da genealogia com o poder: tanto ele como Saul Raiz, de origem eslava e judaica, o expressam claramente, conquanto seja correto incluir o governador Roberto Requião de Mello e Silva como integrante dessa elite, ainda que sem as raízes paranaenses dos Munhoz da Rocha, dos Braga e dos Camargo, integrantes de uma oligarquia, esta sim esclarecida.
  Seguidamente cito a chegada de Munhoz da Rocha ao poder para demonstrar tais liames: num momento em que ocupava o Executivo, seus parentes, o constituinte José Munhoz de Mello e o criminalista Laertes de Macedo Munhoz chefiavam, respectivamente, o Poder Judiciário e o Legislativo. Anos depois, quando do retorno de Ney, via indireta, também parente de Bento, por seu primeiro casamento, ao governo tivemos seus também primos Marino Bueno Brandão Braga no Judiciário e Fabiano Braga Cortes no Legislativo. Não dá para comparar o padrão de todos os citados, embora os enlaces, com o cenário atual.

mockup