LUIZ GERALDO MAZZA
A catatonia
Menos de 11 meses passados da tragédia do GOL-Legacy na Amazônia e ainda a seqüência do descalabro nas operações aeroportuárias (o absurdo sindicalismo tolerado até pelo presidente no militarizado controle de vôo) consolidou-se com a nova e mais brutal ocorrência de anteontem, em São Paulo, a prova de que não temos governo, bom de tributo, mas ruim de atributo.
Apenas a concessão ao espetáculo do jogo de cena com reuniões do presidente com ministros e mais tarde a solicitação à Polícia Federal para uma investigação profunda em clara tentativa de sugerir que há alguém no comando, justamente aquele que nada sabe da corrupção e muito menos da manifesta incompetência que o cotidiano revela.
Assim, à tragédia brutal do maior acidente aéreo da América Latina se percebe o vazio administrativo e as amarras e contradições que cercam o grupo instalado no poder. Nunca se viu tanta passividade, mimetizada pela soberba, na história desse País. Um caso de catástrofe programada.
Clientelas
O fato de ser dada prioridade à reforma da estação de passageiros sobre o que se deveria fazer nas pistas é típico do sistema de clientelas: aquilo que dá mais capitalização para as empreiteiras e rápido retorno com a concessão de serviços e que fica aos olhos do público sai à frente. De que adianta moderna estação de passageiros se o sistema não funciona e os usuários, diante do tumulto na operação, se obrigam a dormir em bancos e no chão?
Viagem suspensa
A suspensão da viagem do presidente ao Sul e também ao Paraná para anunciar as verbas do PAC, que não teria sentido com o traumatismo causado pela mortandade em São Paulo e os riscos de algo pior do que a vaia no Pan, dá um tempo para o petismo da terra metabolizar mais uma trairagem do governador ao trazer Plínio de Arruda Sampaio para criticá-lo na escolinha. Aliás, repetindo o que fez na gestão anterior com o desfile de críticos do modelo, nenhum deles com proposta alternativa viável e se amarrando em visões autárquicas em nome da força do mercado interno.
O mordomo
Tanto a TAM quanto o governo dão versões simétricas e de interesse comum ao ocorrido em São Paulo: minimizam a questão da pista, mais do que comprovada, e tentam a idéia de que tudo decorreu de falha humana, o piloto. Como morto não fala, ele acaba como o mordomo em ficção policial inglesa, o culpado.
Folclore
O presidente Lula teve um terçol e dele se valeu para justificar a sua não ida a São Paulo, enunciando que faria uma minicirurgia. O blog do Zé Beto bateu: Quem sabe passe a enxergar melhor. Há uma piada (muitas criadas para desmoralizar o Benedito Valadares por sua suposta burrice) mineira em que o político perguntado sobre o que tinha no olho afirmou que era um terçol na vista no que foi alertado de que aquilo era um pleonasmo. Benedito repicou: Pleonasmo nada; é terçol na vista sim.





