LUIZ GERALDO MAZZA
Tudo em paz?
Esperava-se uma possível, ainda que sutil, disputa de cabo-de-guerra ontem na Capital Federal na reunião de Requião e Beto Richa com ministros das Cidades e do Planejamento em torno da participação no Plano de Aceleração do Crescimento e, felizmente, todos foram atendidos. Questões de moradia e urbanização de favelas dizem respeito à prefeitura. Assim Curitiba deve receber R$ 82 milhões a fundo perdido ao que concederá como contrapartida 20% desse total.
Houve também um contato com a presidência da Caixa Econômica para financiar R$ 70 milhões destinados à infra-estrutura de áreas críticas com atendimento a moradores que percebem até três salários mínimos. Com isso, aquela história da inadimplência da Cidade Industrial está superada.
Já o governo estadual receberá recursos vultosos para saneamento em todo o território.
Tirou o corpo
Mantendo o velho estilo, Requião recusou-se a participar do encontro sobre Curitiba, mas esteve presente nos de Foz do Iguaçu e Maringá relativos ao PAC.
É a contrafação daquele apelo a todos pela dispensa da dívida do Tesouro por causa dos títulos podres, quando surfou na unidade da oposição.
Livros
O que dizem os livros dos políticos paranaenses? O ''Código da Vida'', de Saulo Ramos, dá um piche em Requião por sua atuação na CPI dos Precatórios e no ataque ao ex-governador José Richa. Já Lerner no livro do Dario Fo, escritor italiano e prêmio Nobel, sobre o que a esquerda européia deveria aprender, escala o que o ex-prefeito e ex-governador, isso em 20 páginas, realizou em termos de circulação e transporte público.
Lula
Se há um lugar em que Lula não corre o risco de vaia, como aconteceu no Rio, que tanto tem ajudado, é no Paraná. E ele fecha esta semana por aqui quando certamente haverá detalhes sobre o que favorecerá o Paraná no PAC. Vaias aqui são comuns contra os nossos, o que é bem mais suportável: Lerner o foi no Teatro Guaíra e ali também Requião o superou e na frente do seu líder maior, o bufão venezuelano. Mas no Rio, como alertava Nelson Rodrigues, e no Maracanã, se costuma vaiar até minuto de silêncio, o que é meio consolo.
Getúlio Vargas, bem mais histórico que Lula, foi vaiado pelos granfos no Jockey Club do Rio e pelo proletariado no Pacaembu.
Folclore
O jornalista Rodrigo Apolloni descreveu mais do que sete maravilhas da Capital e começou pelo homem nu da praça 19 de Dezembro, as duas pracinhas do Batel, o cavalo vomitador, a Galeria do Comércio da Praça Osório, a mais decadente de todas, e ainda a decoração da sede prefeitural em que a artista transforma um pinheiro num pé de cacau. Não incluiu a escultura de João Paulo II no Bosque do Papa, um vanguardismo assustador.





