Obscurantismo de rotina
  Nosso capitalismo tardio se revela no uso sistemático do assédio moral contra funcionários. É com bancários, motoqueiros, telemarketing, comissionados: as metas a atingir são inviáveis. Dá para lembrar da cara do patrão na tevê dando ordens para aumentar a produção em ‘‘Tempos Modernos’’, de Chaplin. Nossa ordem socioeconômica tem tudo dos condenados às galés com o hortator, aquele cara que bate o bombo para o ritmo das remadas, dando a palavra de ordem. Só falta exigir meta de cambista do jogo do bicho. Quem não as cumpre é o governo.

Preconceito
  Primeiras denúncias no Procon de discriminação no acesso a cartões de crédito em supermercados e comércio de um modo geral contra pessoas com mais de 60 anos. Incrível é que votamos em Lerner, Alvaro Dias, Requião. Todos maiores.

Marta
  ‘‘Relaxe e compre’’ no anúncio da Peugeot é sarro em cima da ministra Marta. Só que a roupa vermelha e o chinó postiço aprofundam a alegoria.

Lulice
  Em arrebatado discurso, Lula diz que o Nordeste não pode ser apenas reprodutor de pobres, mas não consta que seu governo se empenhe no controle familiar, ainda que tenha coragem de encarar a Igreja. O desenvolvimento econômico não é por si suficiente para enfrentar essa adversidade que só atinge pobres e que a religião, hipocritamente, diz protegê-los.

Silão
  O Porto quer fazer do silão público a última resistência à soja transgênica que já domina em mais de 80% a movimentação do terminal. É um moinho de vento para o Don Quixote com corpo de Sancho Pança operar.

Folclore
  A forma como as polícias Federal e Estadual se articularam para invadir o Camelódromo de Londrina dava a impressão, pelo aparato e armamento ostensivo, que estavam atrás não do camelô, mas do lendário Camelot, castelo do rei Arthur com suas fortificações e a mesa dos cavaleiros da Távola Redonda.

Saúde na UTI
  A saúde no Paraná está na Unidade de Terapia Intensiva: três empregados do Hospital Universitário de Maringá morreram por excesso de trabalho, estresse, em função do caos que lá impera em que os corredores e padiolas têm mais pacientes do que em quartos e apartamentos. É amostragem do geral. Quando um promotor como o Fuad Faraj, de Ponta Grossa, faz denúncias a primeira reação do governador é apelar para a Corregedoria do Ministério Público. Isso ele fez na última aula da ‘‘escolinha’’. Zero em segurança e saúde, dois em educação.

Alvaro
  Neutralidade militante é a nova do senador Alvaro Dias. Faz a campanha para a sucessão e diz que não se deve tratar dela. Tem hoje afinidade com Requião: ambos ganharam a última eleição com as calças na mão.

mockup