Mais um exemplo
  Nesta semana Londrina deu nova lição em Curitiba, centro político do Paraná, mas por isso mesmo sofrendo as amarras da sociedade cartorial e dos interesses que gravitam em torno do poder. Não será a última demonstração, pois estará sempre aberta a desafios que vão além da questão da segurança. Ela, mais do que a sua câmara legislativa, deu mostras de seu engajamento na derrubada de Belinati e em ações que levaram até a uma intervenção na Globo regional. Não fosse a mobilização e mais a atuação institucional do Ministério Público e do Judiciário, tudo se metabolizaria. É claro que hoje alguns perguntam: valeu a pena se o Belinati pode voltar a ser prefeito? Valeu, sim. Porque hoje tanto o ator político quanto a comunidade estão ‘‘ligados’’ e se a coisa transbordar o cenário volta a ficar aquecido como se deu durante o regime militar, quando ela se tornou no principal espaço da oposição e que elegeria seu primeiro governo.
  A multidão na rua pleiteando paz e respeito e exigindo segurança, afinal o verdadeiro monopólio do Estado que expressa a força e a sanção, é exemplar.

Um código
  O texto ‘‘O Paraná não pode esperar. Um resumo da longa história de descaso da União com o Estado’’, de Gustavo Fruet, deveria ser lido por toda a classe política. Está ali sintetizado o que o parlamentar tem dito em seus discursos sobre o tema. Em alguns deles dá continuidade à ação do pai, Maurício Fruet, artífice dos royalties de Itaipu. Dentre obras feitas pelo Estado temos as recentes da BR 376, a ferrovia Guarapuava-Cascavel, pontes sobre o rio Paraná em Guaíra e Porto Camargo e que não nos deram compensações.

Nepotismo
  Tanto o Ministério Público quanto o Judiciário estão sendo testados nessa questão do nepotismo: as resistências eram esperadas, pois a matéria nada tem de pacífica e até por demais controversa. É evidente que não há isonomia -isso é igualdade de tratamento- na forma como se age em fronts diversos. No interior as decisões tem sido mais fulminantes, embora o Tribunal de Justiça tenha reformado decisões como as de Ivaté e Alto Paraíso.

Folclore
  O talento sumiu da política. É raro um saque inteligente e espirituoso. Ontem, lembrei do Amaral Neto que na histeria pré-64 dirigia o IBAD, Instituto Brasileiro de Ação Democrática, que estava à direita do IPES, Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais, craneado pelo gênio Golbery do Couto e Silva. A direita furiosa era do Amaral Neto que em seguida faria na Globo programas de ufanismo nacional. Ele imitava Lacerda e este não gostava, tanto que um dia, aborrecido com o suposto clone, o chamou de ‘‘Amoral Nato’’.
  Sobre Napoleão Alencastro Guimarães, ministro de Café Filho, e sempre na lista do mais elegantes de Ibrahim Sued tascou: ele tem a elegância de um senador romano e a mente do Primo Carnera (boxeur italiano que chegou a campeão do mundo, mas que não era lá muito bom da cuca).

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