O refém clássico
O governador tem motivos de sobra para exercer a tal ira santa nas irregularidades que marcam a sua gestão: Sanepar e seus aditivos; a Ceasa com a impunidade dos afastados; o Trabalho com as liberalidades pouco socialistas do padre Roque; Obras com a síndrome das correções nos contratos e agora até o setor fazendário com a cobertura estranha dada a um auditor acusado de formação de quadrilha e apoiado pela hierarquia da fiscalização quando as normas da repartição determinam o seu automático afastamento.
Um governo refém da mediocridade dos que gravitam em torno dele e também dos grupos internos. Como um Hamlet, a caveira de Yurick à mão, Requião declama o ''ser ou não ser''. Pendular, não se define se é ou não é. Seguramente não é.


Autoctonia
Paranaguá sempre se vangloriava de ter gente sua comandando o porto: Alfredo Budant, Pinho. Na pior das hipóteses tinha postos na diretoria. Hoje acabou: o Mariozinho Lobo era o derradeiro na diretoria administrativo-financeira. Agora foi deslocado para a ParanaPrevidência.


Trabalho
Sai Emerson Nerone (diretoria geral) entra Fernando Peppes. As denúncias, ora as denúncias, não serão apuradas nem processadas. Um versão curiosa e fugidia da apregoada severidade com recursos públicos.


Simulação
O discurso, primaríssimo, do governo é centrado no socialismo como utopia, mas a greve da Sanepar mostrou que lá a maioria ganha R$ 600 e um grupo de apaniguados, R$ 20 mil. Não deixa de ser parecido com a União Soviética.


Repercussão
Um dos maiores cardio-cirurgiões do Paraná, Danton Rocha Loures, é acusado pelo Ministério Público de ter agido com desídia na morte de uma paciente no Hospital de Clínicas. Uma das afirmações da reportagem é que são comuns os casos em que pacientes de cirurgias complexas são atendidos por residentes.


Folclore
Com o exagero da afirmação do oficial da Marinha de Guerra de que os portos do Paraná se prestariam mal e mal para receber canoas e jangadas alguém sugeriu que deveriam ser vetados os pedalinhos que poderiam ter as pernas do operador atoladas no fundo arenoso. Exagero também é pedagogia como quando o governo diz que o terminal do Paraná é o melhor do país.


Terrorismo
Em alguns setores funcionais corre a informação de que o governo atrasará os pagamentos em função da crise financeira. A causa disso está na afirmação do próprio Requião de que os aumentos concedidos não poderão sair pela ausência de recursos e a isso se seguiria economia de despesas gerais. A dramatização tenta facilitar a aceitação da tese da supressão das multas seguida do pagamento dos atrasados, encampada também pelos governadores do Codesul.

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