Diferenças de estilo
Há mil diferenças de estilo entre Lerner e Requião. Lerner entrou no governo, logo depois de Requião, e nada fez contra seu antecessor. O caso das diárias frias vinha de Mário Pereira, que entrara em conflito com o governador de quem era o vice, foi ativado mais por insistência de quem tocou a sindicância.
A filha de Lerner casa em Nova York e um vídeo da festa cai nas mãos do PMDB, que o explora até no horário eleitoral. Se um filho ou sobrinho de Lerner aparece num processo policial dá para imaginar como Requião agiria.
Pois quando Lerner assumiu o governo, as denúncias contra a Sanepar, já então dirigida por Stênio Jacob, acabaram numa CPI e o assunto nem sensibilizou mesmo os setores mais duros. O pior é que mesmo na reincidência, o caso da Sanepar, a blindagem moralista do governador Requião não é rompida. Há quem entenda que a diferença de 10 mil e poucos votos na última eleição, em que pese o uso pleno e absoluto da máquina pública, já é sinal de reação.
Lerner tem profissão e a exerce, independe da atividade política. O nosso governador é político de profissão e precisa de mandatos (o próximo deve ser o Senado ou a Câmara Federal) para assegurar a imunidade. Na agressividade contra adversários, reais e imaginários, Requião monta a aura ''justiceira''.

Bingo
O governador foi contra o bingo, mas adorou o sorteio de anteontem e já está convidando deputados que forem à escolinha, quando rifará um ônibus. Mesmo como blague é uma ofensa que deixa o Justus em saia-justa. É patuscada como regra.

Tango
Como o Castelo do Tango em Curitiba era na verdade uma kitnete, um argentino, sócio do Bar Stuart, quer montar na parte superior um ponto de dança. Nos sábados, no bar, apresenta o som platino como preparatório para a novidade.

Silogismo
O líder da oposição, ao saber do sorteio do ônibus entre os deputados que forem à escolinha, sugeriu que o dinheiro que o comprou deve ser os R$ 2 milhões que dizem ter desviado da Sanepar para pagar o jornal ''Hora H'' e que desapareceu a meio caminho. O Cícero Catani, inconformado, denunciou o fato e não quer ver o circo pegar fogo porque a água é cara e está escassa.

Jogo de empurra
A omissão é que mantém ousados os temerários. O presidente do Legislativo, Nelson Justus, diz que nada tem a ver com a circular (de 25 de abril) aos deputados sobre o sorteio do ônibus e que os inconformados se dirijam a quem a assinou, o chefe da Casa Civil. A molecagem tem o estilo e a impressão digital do governador.

Folclore
Os que comparecem à escolinha não precisam ser motivados por sorteios e por uma razão simples: já foram sorteados com suas respectivas nomeações e a maioria é tão submissa que se julga privilegiada quando agredida pelo chefe.

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