LUIZ GERALDO MAZZA
Vidiotas
Nossos governantes, de um modo geral, lembram, em muitos aspectos, a figura de Mr. Gardener, interpretada por Peter Sellers, no filme ''O Vidiota'' ou ''Muito além do jardim''. Confinados no mundo virtual (e vimos isso dias atrás quando o governo promoveu oba oba no porto e acabou convocado, de novo, para dar explicações ao TC da União) se chocam quando se defrontam com a realidade. É também o caso de Beto Richa, com sua cruzada pelo congelamento das tarifas de ônibus, que prometia solenemente manter, e se viu obrigado a reajustá-las para ao menos reduzir o peso do subsídio em R$ 3,5 milhões mensais.
Há uma cena antológica do vidiota quando o personagem se vê, diante de um assalto no mundo real, ele condicionado pelo universo virtual, se vale do controle remoto da tevê para mudar de quadro e revogar a realidade. Nossos políticos se tivessem mais sensibilidade captariam o ridículo da situação que ordinariamente interpretam. Todos, sem exceção.
Prestam, talvez sem querer, homenagem a Moliére, cuja peça clássica ''As Preciosas Ridículas'' está em cartaz em Curitiba.
Caráter
A TV mostrou - e isso nada tem de virtual, mas de documental - a advertência do dirigente Mario Celso Petraglia ao árbitro Heber Roberto Lopes nos vestiários para que apitasse direito. Embora não se trate de uma ameaça pelo tom da recomendação ao árbitro, caberia registrar em súmula como não deixa de haver certa dose de vindita no registro da cena pela RPC, vetada pelo dirigente.
Requião festeja
Uma coisa o governador pode festejar: foi um dos únicos no Brasil a tomar posição radical contra bingos e caça-níqueis alegando que fomentavam formas de criminalidade que iam da exploração de jogos de azar à lavagem de dinheiro. Só que fica difícil explicar aquelas cenas, gravadas em VT, da ida do seu ex-chefe da Casa Civil, deputado Caíto Quintana, e do Luis Claudio Romanelli a um dos animados bingos no centro da cidade em plena campanha eleitoral.
Briga corporativa
O Ministério Público quer fazer o controle externo da Polícia, questão que seria examinada ontem pelo Conselho Nacional da categoria. A Polícia Federal, que rejeita a tutela, declarou que setores do MP quase botam a perder a operação ''Furacão'', que prendeu bicheiros e desembargadores, provocando o vazamento de informações. Para o país o choque intercorporativo é sinal de vitalidade. Resta a mediação superior desses conflitos que poderes frouxos dificilmente exercerão. A Emenda 3 é um vulcão corporativo, alvo de algumas chantagens como a greve dos transportes em São Paulo. Alguém controla isso?
Folclore
Havia um estudante de Engenharia que usava a tática do malandro na resposta das provas orais: o professor colocou vários minérios na mesa e perguntou do que se tratava. O aluno respondeu ''não é malacacheta''. Retruca o mestre por que e o sujeito faz a dissertação ampla da única questão que afinal conhecia: a malacacheta, sinônimo de mica.





