Anomalia como rotina

Não há precedente na história do Paraná de um governo como o atual que se empenhe numa autofagia tão refinada: a cada momento um setor dispara contra o outro e faz aflorar irregularidades gravíssimas. Assim foi com as secretarias de Obras, do Trabalho, da Habitação, da Sanepar e por aí em diante.

A continuar nessa escalada ter-se-á a dispensa de oposição porque essa está dentro do próprio governo. Se isso pode ser até engraçado ao facilitar ações que deveriam caber à oposição vai esgarçando o tecido político do Paraná e tornando impossível a recuperação de nossa imagem afetada por tanta perda de energia. O conflito é o parto da história: não fosse Pedro Collor e certamente não teríamos ''impeachment'' e renúncia de seu irmão Fernando. Divididas no interior do governo, portanto, se tornam a única perspectiva do público ter alguma informação e essa forma de ''democracia'' ao avesso tem seu lado útil.



Repeteco

Cândido Gomes Chagas, com aquele riso do Doutor Silvana, anda com um documento à mão, o ''passaporte verde'' lançado em 1992 por Lerner e que deseja agora trocar pelo recém-lançado ''passaporte curitibano''. Como se vê há por aqui muito mais truísmo do que turismo. O pior é que as pessoas fazem um ar de inventores e criativos.



Passivo

O passivo jurídico da Sanepar pode ser muito maior do que se imagina. É que os acionistas privados estão de olho em tudo o que está ocorrendo mormente na questão dos aditivos e deixam para depois o processamento, ainda mais com os informes decorrentes das declarações de Pedro Henrique Xavier. Eles vão pedir também - e isso um ex-dirigente da empresa já havia alertado - que a contabilização ''social'' (a água de graça ou barata) entre no acervo como ônus específico do governo e não de acionistas privados. Quem tem ações em bolsa como Sanepar e Copel deve acautelar-se. Esta é mais complicada ainda por ter 69% do seu capital social em mãos privadas.



Rumor

Pode não haver pesquisa na praça, mas quem assegurar que o governo caiu tem 99 chances em 100 de acertar. A não ser que a sociedade seja um rebanho no aguardo de um Jim Jones. Aliás se houver uma sondagem do Ibope, discreta, no próprio seio da administração o tiroteio de agora explicará a queda. A não ser que a pesquisa se faça na ''escolinha'' no palmômetro. Ali bate os santos, pois a bajulação amedrontada é virtude.



Folclore

Nas encenações da Paixão em Paranaguá, Cine Santa Helena, o ator já falecido Roberto Menghini fazia o Cristo: estava quase expirando na cruz, antes de a cortina do palco ser aberta, e levou um baita susto quando um cara da produção lançou sobre o seu corpo uma bacia de água gelada para acentuar seu sofrimento. Ele balbuciou o ''filha da ...'' e colocou a cabeça no ombro como quem expira. A água no corpo deu realismo à cena como suor, mas a interjeição ninguém ouviu a não ser os que estavam no palco.

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