Escola séria
Quando há sessões da ''escolinha'' lembro de algo assemelhado na intenção, mas distante no conteúdo, que havia no segundo governo Lupion, na Coordenação do Pladep (Plano de Desenvolvimento Econômico do Paraná). Obviamente não era Lupion quem comandava o espetáculo, mas o tenente-coronel Alípio Aires de Carvalho, genuíno introdutor das técnicas de planejamento no Paraná. Para ser breve e dar uma idéia do que se examinava ali, basta lembrar a luta que foi desencadeada, com base em estudos técnicos e logísticos, que contestava o fato da usina experimental do xisto fixar sede em Tremembé, São Paulo, por decisão equivocadíssima da Petrobras, que não era tão gigante mas mostrava as garras.
No Instituto de Biologia e Pesquisas Tecnológicas, IBPT, do qual o Tecpar é a herança reduzida, havia uma elite multidisciplinar não encontrável nem nas universidades, muito menos na nossa, tanto que várias vezes tentou encampá-lo e um mestre estrangeiro, Ludwig Webber, especialista na engenharia química, deu a linha de argumentação que levaria a Petrobras a rever seu erro e na sequência sediar a unidade experimental e posteriormente a industrial em São Mateus do Sul. Esses quadros geravam massa crítica atualizada.

Geada e gripe
Quando comitivas da Escola Superior de Guerra vinham ao Paraná havia uma rica apresentação do diagnóstico e das propostas de governo, o que é inviável tentar descobrir na ''escolinha'' atual. Instituições se mostravam aptas a responder aos desafios. Lembro, por exemplo, das tentativas de encarar geadas, que dizimavam cafeeiros ao norte, pelos geradores de neblina artificial também empregados na proteção dos laranjais nos Esteites e sistemas de alerta, o que não dispensava a existência de propostas de tratos agrícolas para aumentar essa resistência.
Quando da epidemia de gripe asiática, o governo se mobilizou no IBPT e o mestre em biologia, Astolfo de Souza, foi a instituições nacionais e obteve a produção da vacina contra a patologia e que, produzida em escala, nos nossos laboratórios, imunizou a população.

Fraude na gasolina
Uma das situações do cotidiano (isso sem falar na produção da vacina antirábica, uma tradição ao lado de outras de proteção à pecuária) que preocupou o IBPT no seu setor de combustíveis foi a criação de equipamento hábil para flagrar níveis de adulteração na gasolina e que permitiam autuar na hora os infratores. Por essas habilitações, o instituto era credenciado como delegado de conselhos e organizações nacionais que operavam no setor geológico, de águas minerais, de combustíveis, cafeicultura, zoonoses.
É claro que em tal situação a cena fosse ocupada por cientistas e técnicos e não por políticos como se dá hoje. Como aliás se viu numa das mais recentes ''escolinhas'' o ponto alto das exposições com o representante do Tecpar num tipo de linha séria, incompatível com o teatral e o burlesco ali dominantes. É de esperar-se que nas próximas sessões tenhamos a recuperação do dado técnico e que poderia advir da exposição sobre comportamento financeiro e a de como o Paraná se ajustará ao Plano de Aceleração do Crescimento. No tempo de Ney Braga tiraríamos isso de letra e com brilho e distinção. Hoje é difícil.

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