Macondo
Se Gabriel Garcia Marquez, que também é repórter, fizesse a cobertura do que acontece no Paraná, por vezes lembrando um manicômio como aquele de ''O alienista'', conto de Machado de Assis, provaria velha tese minha: no Brasil o factual já é uma forma nítida de ''realismo fantástico''. Lula batendo pênalti no Maracanã, um buraco engolindo o metrô em São Paulo, jacarés emergindo no Barigui, o prefeito com temor-pânico do Doático Santos e o mais surpreendente é que não estamos em vigília ou sonâmbulos.

Semelhança
Não perdemos do Nordeste em coronelismo político: só a embalagem engana. Estava certo o jurista Rui Cirne Lima quando dizia que federalismo tinha sua origem no feudalismo, afinal o que temos.

Bush
Se o mundo ainda estivesse cindido pela Guerra Fria e não fosse hegemônico, militarmente, as reações a Bush seriam bem maiores. Para descompensar em tal cenário não haveria espaço a Chávez e Morales.

O sofá
O marido traído trocou o sofá da sala e pensou ter reparado a ofensa. Teremos algo parecido com a crise política interna do governo estadual?

Pioneiro
O autor da primeira ação popular contra o nepotismo no governo estadual, em 5 de janeiro de 2004, foi Guilhobel Aurélio Camargo. Mais de três anos e sem solução no 1º Ofício da Fazenda de Curitiba.

Folclore
O ''Diário da Tarde'' expunha na frente do jornal na Dr. Murici um painel de notícias feito a garranchos em folhas de papel ao lado de ''documentos'': numa ocasião o dedo humano encontrado numa linguiça lá estava e noutra uma garrafa antiga de leite (a fase pré-plástico) exibia um produto ''batisado'' visível no peixe barrigudinho que boiava no frasco.
O jornal, a esse tempo, era assim divulgado e também no pregão dos pequenos jornaleiros. Num dia eles clamavam ''Tensão na fronteira russo-chilena''. Saiu na manchete de ''A Tarde'' de Protásio de Carvalho e houve um pequeno desvio geográfico: a fronteira era entre a União Soviética e a China Continental.

Apócrifo
Um volante atribuído ao PMDB circulava na área invadida de Campo Comprido assumindo a autoria da invasão e aconselhando outras investidas. Doático Santos, presidente do diretório municipal, disse que o documento apócrifo era obra dos seus adversários. O dirigente partidário paga pela fama que criou de si mesmo, embora fique claro que seria inverossímel assumir a autoria.

Silêncio
Pode acontecer a coisa mais grave do mundo no governo estadual e a resposta é um silêncio ensurdecedor, seja assunto da Sanepar, compra de televisores e agora o caso da Ceasa. É o silêncio de mil decibéis, o silêncio obsequioso.

mockup