LUIZ GERALDO MAZZA
Macunaíma entre nós
O que está acontecendo no momento com o espólio de Carvalhinho e as reações que suscita é como se a sociedade paranaense se colocasse diante de um espelho, num gesto sartreano, e se julgasse. Em primeiro lugar se verifica que tanto numa entidade privada, corporativa, como no governo, a despeito da existência de sistemas de controle, eles não funcionam. Só depois que deixou a Fiep, embora houvessem diligências do Tribunal de Contas da União, é que se soube das dimensões do alcance. Como Lula, ninguém sabia, ninguém tinha visto nada, mas da mesma forma que o bajulavam passaram rapidamente a atacá-lo.
A falta de caráter orgânico da sociedade ''galinha'' é assim mesmo e por isso é que não nos levam a sério. Lembro também do rápido império de Haroldo Leon Peres: bastou que fosse obrigado a renunciar para que o Tribunal de Contas, pela vez primeira na história, desaprovasse as suas contas.
Pisar como caçador glorioso na onça caída é fácil, bastando não ter caráter. É o que ocorrerá com outros dirigentes, públicos e privados.
O lado bom
Há uma dimensão, dialeticamente previsível, boa nos autoritarismos. Aqui um jornal acomodado se tornou atuante, um prefeito amedrontado mostrou brio.
Cada um de nós é testado como pessoa e caráter quando diante de um governante abusivo. Achamos que o estamos julgando e até condenando, mas no fundo estamos igualmente sendo julgados e condenados por nossa passividade tradicional.
Evidência do lado bom é o reavivamento do PSDB, acovardado e confuso, disposto a reagir: Fruet, Hauly e Affonsinho decidiram que em 5 de março o partido se firma pela oposição e quem ficar no governo está fora.
Amnésia
Numa reunião, diante de juízes e promotores, prefeitos e secretários, do ''Mãos Limpas'' o governador declarou que lhe haviam proposto vantagem pessoal numa transa entre uma financeira e a ParanaPrevidência. Não deu o nome do banco e muito menos puniu o sedutor, o que é um caso de prevaricação. Ninguém foi atrás do fato ou factóide e tudo ficou na mesma.
Em outra reunião falou do caso Pavibras e sugeriu, com a ligeireza habitual, que haviam feito um aditivo contratual para beneficiar a candidatura Vanhoni e com o qual não concordou e depois teria verificado que a manobra se realizara e não se sabe que providência foi tomada. Todos, outra vez, esquecemos.
Nos dois casos não houve sindicância ou inquérito.
Folclore
O poeta-chargista-jornalista Alceu Chichorro está na rua das Flores e faz uma gracinha para a senhorita que passa. Essa, indignada, reage.
- Cachorro!
- Cachorro, não. Chichorro.
Física
Um princípio consolidado em física - a luz é mais veloz do que o som - é negado na política. Nela é comum o sujeito falar antes de pensar. Cognição zerada.





