Ruptura da inércia
  Estamos de tal modo assimilando a banalização da violência que só um caso como o do menino arrastado pelo veículo roubado no Rio é capaz de mexer com a sensibilidade do brasileiro, meio embotada nesse processo. Como os bandidos foram apanhados ao menos houve essa compensação, o que ordinariamente acaba não acontecendo, tal a ineficiência operacional dos órgãos de segurança.
  Enfrentamos – e isso se dá aqui no Paraná – essa situação com discursos e até promessas como a da ida da Força de Segurança Nacional a algumas unidades e que não passam de concessões ao espetáculo. A reação da sociedade aquele ato foi uma prova de que ainda há reservas de humanidade nas pessoas não toldadas pela aceitação passiva do quadro de anomia que engole o país.

Desobediência
  A costumeira desobediência do governo estadual relativamente a invasões de terras, rurais ou urbanas, criou um mecanismo de acomodação no Judiciário às vezes rompido por decisões como a recente que tornou sem efeito o ato de desapropriação da fazenda da Syngenta. Burocratas de segundo escalão conseguem impedir o cumprimento de decisões judiciais. Em quase todos eles há claramente um ato grave de impedimento do livre funcionamento dos poderes como nesse caso da Syngenta onde ficou nítido que o governo tentou contornar decisão judicial que o condenava ao pagamento de multa diária de R$ 50 mil enquanto persistisse a ocupação da área. O ato desapropriatório é um desvio, como alegou o TJ.

Tédio
  Retornaram as polêmicas se existe ou não carnaval em Curitiba. Tédio mortal, tanto a discussão como a festa em si.

Copa
  Nova chantagem em marcha a pretexto de sediar a Copa do Mundo como se fez com esse abuso dos jogos panamericanos (previsão de gastos era de R$ 160 mi e já gastaram R$ 1 bi e 400 mi sem concluir as obras). Se o PAC não fizer o milagre arquivem a idéia e aqui principalmente, pois nenhum dos estádios se enquadra no caderno de encargos da Fifa. Atletiba empata no quesito segurança.

Folclore
  Se há cogitação de uma secretaria para distribuir leite por que não se cria outra para desenvolver uma coalhada modelo? A propósito a pretexto de salvar a coalhada Lerner fez uma pregação junto com bancos e tudo o mais para defender a preservação da Leiteria Schaffer, que também talhou.

ONGs
  ONGs, como a Femoclan e a Femotiba, federações de moradores, precisam ser bem fiscalizadas. Igualmente situações como a permitida no contrato coletivo de trabalho de motoristas e cobradores de Curitiba com o ‘‘salário’’ indireto das 15 mil cestas básicas em favor do sindicato que estão embutidas na planilha e acabam na tarifa. Com a prestidigitação oculta, já que o sistema é subsidiado, tudo ganha aparência de normalidade.

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