LUIZ GERALDO MAZZA
Linha verde
Quando Munhoz da Rocha decidiu tocar o Centro Cívico, reuniu as duas famílias, dos Munhoz e dos Camargo, detalhou o que pretendia e se soubesse que alguém daquele grupo clânico enveredasse por qualquer negociação em cima da área ele o denunciaria publicamente. Ouvi esse testemunho de dona Flora Munhoz da Rocha, a viúva do estadista, na série de memória histórica do
Bamerindus.
De lá para cá tivemos numerosas intervenções urbanísticas e que teriam, segundo o foco de adversários políticos do momento, levado vantagem por terem usufruído de informações privilegiadas e de fatores logísticos. Dá para pensar como se fará a especulação, normal na economia de mercado, imobiliária naquele espaço, o da Linha Verde, e pela fragilidade da oposição e o monolitismo da força oficial já se sabe que pouca informação teremos. É a alavanca eleitoral de Beto Richa para um segundo mandato, mas também a ocupação de um novo e abrangente espaço urbano. Para que o virtual das pranchas vire realidade muita água vai correr, inclusive nem sempre diáfana e pura, porém com jeito daquela do rio Belém.
Outra bandeira
Outra bandeira do segundo mandato de Beto Richa é a tarifa deprimida do transporte coletivo que está custando perto de R$ 5 milhões ao mês ao erário da cidade. E tudo é feito com a maior tranquilidade porque o prefeito pode remanejar até 12% do orçamento, superior a R$ 1 bi, para fazer esse provisionamento que mascara a realidade dos custos do transporte.
E a relação é tão pactual no setor que o contrato coletivo com cobradores e motoristas acaba de ser firmado com apenas 3% de reajuste e a manutenção do esquema de cestas básicas a cada um dos trabalhadores em número de 15 mil e como salário indireto, o que está embutido nas planilhas. A servidão é tanta que já existia emenda de vereador aliado consignando R$ 50 milhões para cobrir o subsídio do município ao sistema. Para conter a ira dos transportadores fica no ar, como a Espada de Dâmocles, a ameaça da licitação do sistema que é tão real quanto o totem do Lerner para a segurança.
Socepar
Dirigente da Socepar escreve à coluna para dizer que a negociação com a Bunge se deu em 8 de dezembro de 2006 e que no dia seguinte, após auditorias, a multinacional assumiu o terminal. Acontece que o Banco do Brasil está executando a Socepar Agroindustrial e Exportadora Bataguassu. Ação tramita na 20 Vara do ofício civel sob número 1439/2005.
Transparência
O Ministério Público vai em cima do governo por causa do nepotismo. Deveria, como fez o Judiciário, começar a análise pela própria corporação. Ou ela está livre de patologia tão comum? CNJ quer ver os supersalários nos tribunais de contas. É a safra da austeridade em movimento, um carnaval cívico.
Folclore
Peemedebistas e petistas da linha Requião inventaram uma piada genial. A de que o governador teria mandado colocar uma faixa enorme no Centro Cívico com os seguintes dizeres: ''Não há Vargas!''





