LUIZ GERALDO MAZZA
Serraglio na Câmara
A presença do paranaense Osmar Serraglio na Mesa da Câmara na condição de primeiro secretário compensa o esforço válido, mas frustrado, de Gustavo Fruet em estabelecer uma linha demarcatória no plano ético para o legislativo, tão onerado pela delinquência que o transformou em alvo do noticiário policial.
Acontece que, apesar das posições divergente adotadas no plano político, no rígido divisor de águas estabelecido na eleição, mostraram-se no andamento da CPI do Mensalão e no Conselho de Ética identificados no propósito do clareamento dos fatos e na punição dos responsáveis por atos de improbidade.
O rigor com que agiu, respaldado num conhecimento jurídico e de filosofia acima do comum, desvelou também a dimensão de humildade, indicador difícil de aflorar em momentos de tanta mobilização da opinião pública, de exposição densa na mídia. Poderia ser vítima do lado mais negativo do corporativismo parlamentar, evidenciado nas absurdas absolvições de colegas infratores, na hora do voto para a Mesa Executiva e a sua escolha se não é suficiente para a purgação de tantos pecados, alguns mortais, restabelece a esperança de que a instituição pode redimir-se das suas patologias.
Esquerda
Na capa da última ''Idéias'', o presidente da Itaipu, Jorge Samek, e a manchete ''A esquerda veio para ficar''. Mas que esquerda: a dos que se aferram ao assistencialismo como se isso fosse expressão de socialismo, a ''de resultados'' pouco importando os fins empregados, a que luta pela implantação do Estado-Albergue, enfim que ''sinistra'' é essa que faz rolar nas tumbas dos românticos aos ''científicos'' do pensamento e da ação social?
Como a dissimulação é inseparável desse tipo de exploração, é o caso de dizer-se que há ''esquerdas'' que não passam de uma ultra-direita que não ousa dizer o próprio nome.
Educadores
O ceú de brigadeiro da gestão Beto Richa, com tantos fronts de obras, vai toldar com duas reivindicações: a dos educadores sociais, que desejam nas creches e em outros campos uma aproximação ao ganho dos professores e também a decorrente do dissídio coletivo dos cobradores e motoristas que poderá significar o fim de uma das bandeiras da prefeitura, baseada num artifício político e pago com subsídios elevados, para manter deprimidas as tarifas.
Por menor que seja o reajuste ele obrigará ao conhecimento da realidade. Basta que as áreas em conflito se abram.
Folclore
A consultora de comportamento sexual falou, dias passados, de fetichismo. Em 1954, aula de Medicina Legal, na Faculdade de Direito (federal), o mestre Napoleão Teixeira falava sobre o tema e depois de apaixonada viagem pela literatura de casos correlatos como o da ''Pata da Gazela'', versão alencarina e sofisticada da ''Cinderela'', declarou: ''Há pessoas, doutores, que só sentem a plenitude do prazer sexual se a parceira estiver com uma roupa de determinada cor...'' Foi interrompido pelo aluno mais velho da classe em estado de catarse: ''Preto, professor. Preto!''





