LUIZ GERALDO MAZZA
Momento certo
Para um país que não tem projeto, o plano ontem apresentado por Lula é, ao menos, uma forma de romper a inércia, mas está amarrado em contradições típicas da cultura brasileira. O momento é o adequado, o presidente está em alta nas pesquisas e se é para mudar o rumo, medíocre até aqui (só batemos o Haiti), que se faça algo agora. A perspectiva não é lá essas coisas.
Ideologia
Não se pode falar em idéia-força no Brasil, onde impera a idéia-farsa. O pacote que vai acelerar o crescimento é uma demonstração viva disso.
Logomaquia
Marxistas acreditavam que o pensar socialista já era uma forma de ação. Toda retórica se esgota nela mesma, seja o pacote ou o Fórum Social Mundial. Só o discurso não dissimula a impotência.
Analogia
O professor Belmiro Valverde comparou o Estado brasileiro a um eunuco, um gigante flácido e sem capacidade geradora. Viagra nesse paciente é inútil como a discurseira.
Ironia
O governo estava interessado em leiloar as contas de aposentadorias e de pensões aos bancos para fazer caixa. Antes isso do que leiloar inativos ou ainda obrigá-los às filas para se comprovarem vivos, como se fez antes. Ao menos indica que não leiloará mais seus ativos, como fez FHC.
Apetite
A gula fiscal e a prodigalidade dos gastos públicos são inegociáveis e por isso não existe a possibilidade de eficácia para destravar o crescimento.
Folclore
Miguel Caluf, proprietário do Louvre, anos quarenta, maior loja da Rua XV, é submetido à fiscalização da Receita Estadual. Um fiscal acompanha, venda a venda, e aparece um coordenador para supervisioná-lo. Miguel se dirige ao superior e pede que mantenha o fiscal ali por bastante tempo, já que está lhe dando muita sorte, uma vez que nunca vendeu tanto como naquele dia.
Sinalizador
No encontro do Conselho Monetário Nacional, que vai examinar a nova taxa de juros, é que se saberá como aquele organismo responderá ao apelo de Lula para o crescimento. Compatibilizar equilíbrio fiscal com crescimento e ainda por cima com mais inclusão social é tarefa para mago e demiúrgos. Tudo para todos e que pode redundar em quase nada para ninguém, a não ser aqueles de sempre.





