Jovens condenados (1)
Ainda nesses últimos dias na série de assassinatos na Grande Curitiba deu para perceber que a maioria das vítimas (e em alguns casos também dos autores) é constituída de jovens até 18 anos. Esse é um drama que permeia o Brasil na questão do narcotráfico e das gangues.

Jovens condenados (2)
Há farta bibliografia e até filmografia (''Cidade de Deus'', um exemplo) em torno do tema e a obra mais recente é a da Editora Vozes, ''Vidas Arriscadas- o Cotidiano dos Jovens Trabalhadores do Tráfico'' de Marisa Feffermann, fruto de cinco anos de pesquisas. A cada 100 mil jovens, 103 morrem no Rio. O Paraná, conforme os levantamentos dos fins de semana, aparece bem no ''ranking'', o que é um terrível mal.

Jovens condenados (3)
Como são claras as relações entre a indústria da droga (o tráfico, segundo aquela CPI de 2000, movimentava US$ 500 bi anuais) e o poder o uso dos jovens explicita a violência que uma sociedade regida pelo capitalismo selvagem tenta esconder, diz a autora que propõe investimento nas escolas em substituição ao sucateamento de agora e a percepção de que um índice tão elevado de homicídios juvenis é uma questão de saúde pública. A ausência do Estado é um poderoso aliado dessa patologia.

Jovens condenados (4)
Uma conclusão clara é a que gastamos oito vezes mais com segurança pública do que com prevenção e o discurso da repressão se assenta num tripé: culpa da família, o poder do tráfico e o jovem delinquente. O Brasil é o campeão das estatísticas mundiais (em cada 100 mil jovens 43 morrem assassinados por armas de fogo). O Estado, quando vai para a periferia, vai para reprimir. São algumas das observações do suplemento ''Fim de Semana'' do Valor Econômico de 5 a 7 de janeiro da reportagem de Sampaio de Castro ''Operários do crime''.

Mais prevenção
Há um trabalho na Secretaria de Justiça e tanto o ex-titular Aldo Parzianelo como o atual desembargador aposentado Jair Ramos Braga nele se empenharam, apostando mais na prevenção com a montagem de grupos multidisciplinares e um relativo envolvimento da comunidade. Obviamente que ao lado disso há estímulo para a denúncia anônima e que tem dado resultados estatísticos apreciáveis na apreensão de drogas. Urge apostar mais numa direção mais abrangente em termos de identificação do problema e doutrina. A rebelião nos centros de recuperação de adolescentes, em alguns casos também com mortes, como se deu mais de uma vez em unidades paranaenses, mostra que até aí o problema tem sequência e estaria a exigir menos fragmentação das secretarias envolvidas.

mockup